Domingo, 11 de Janeiro de 2026

Home Fama & TV Nunca fiz nada por dinheiro ou porque era de Hollywood, afirma o ator Wagner Moura

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Em entrevista ao jornal norte-americano “The New York Times”, o ator Wagner Moura afirmou que recusou diversos papéis lucrativos em Hollywood e ouviu de um agente que ele deveria ser menos seletivo na sua carreira internacional.

“Especialmente depois de ‘Narcos’, eu não quero fazer nada que reforce estereótipos de latinos”, justificou o ator à reportagem. “Estou com quase 50 anos, então dane-se.”

Moura é a estrela de “O agente secreto”, filme dirigido por Kleber Mendonça Filho e que concorre ao Globo de Ouro, uma das principais estatuetas da indústria cinematográfica. A cerimônia de premiação acontece neste domingo (11).

O brasileiro também foi indicado na categoria de Melhor Ator em Drama. Esta é a segunda indicação de Moura ao Globo de Ouro – a primeira foi em 2016 por sua atuação como o narcotraficante Pablo Escobar na série “Narcos”, mas ele perdeu.

O novo drama brasileiro “O Agente Secreto” se passa em 1977, um período que os créditos iniciais descrevem, na tradução em inglês, como uma época de “great mischief”. Essa expressão é uma tradução livre de pirraça, palavra que o astro do filme, Wagner Moura, tentou definir para mim recentemente.

“É como quando uma criança faz algo que sabe que os pais não aprovam, mas faz mesmo assim”, disse ele. Ao descrever esse comportamento, Moura sorriu. “Eu tenho isso.”

Ironicamente, ao se manter fiel às suas convicções e escolher projetos peculiares como “O Agente Secreto”, Moura agora parece estar prestes a viver o maior momento global de sua carreira. O vibrante thriller político já lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro e prêmios de melhor ator no Festival de Cannes e da Associação de Críticos de Nova York.

Embora enfrente uma concorrência acirrada com nomes como Leonardo DiCaprio, Timothée Chalamet e Michael B. Jordan na categoria de melhor ator, muitos especialistas acreditam que Moura conquistará sua primeira indicação ao Oscar por este filme.

Construir uma carreira de ator consistente em dois continentes não é tarefa fácil, mas Moura, de 49 anos, conseguiu, trazendo sensibilidade e inteligência a obras com temática política, como “Guerra Civil”, de 2024, a série “Ladrões de Drogas”, da Apple TV, e uma adaptação da peça “Um Inimigo do Povo”, de Henrik Ibsen, que ele apresentou recentemente em sua cidade natal, Salvador.

O diretor Kleber Mendonça Filho, que concebeu “O Agente Secreto” pensando em Moura, elogiou sua clareza progressista como artista. “Seu carisma vem da sua constância”, disse Mendonça Filho. Moura atribui essa firmeza ao seu pai, já morto, um sargento da Aeronáutica. “Ele não era politicamente ativo, mas havia uma questão de valores, de como você deve se comportar como pessoa”, afirmou. “Não quero me vender como uma bússola moral, mas me mantenho fiel a quem sou e às coisas em que acredito ser certo.”

Brincando, ele acrescentou: “É meio arrogante dizer isso, mas vou dizer mesmo assim. Estou quase fazendo 50 anos, então que se dane”.

“Este filme não precisa de Dolby Atmos”, brincou Mendonça Filho, “porque a voz de Wagner já tem”.

Após o drama brasileiro “Ainda Estou Aqui” ter ganhado o Oscar de melhor filme internacional no ano passado, muitos no país natal de Moura esperam que “O Agente Secreto” se torne outro sucesso na temporada de premiações. Ainda assim, ele sabe que nem todos no Brasil o apoiam.

Há poucos anos, quando Jair Bolsonaro era presidente, ele ajudou a virar grande parte da população contra Moura pelo fato de o ator criticar abertamente o governo de direita. “Politicamente, nunca me esquivei de dizer o que achava certo, mesmo que tivesse que arcar com as consequências”, disse Moura.

As atitudes nacionais começaram a mudar depois que Bolsonaro perdeu a eleição presidencial há quatro anos e foi condenado por planejar um golpe para se manter no poder. Ainda assim, Mendonça Filho acredita que, mesmo hoje, se os brasileiros fossem entrevistados nas ruas, cerca de um quarto continuaria a vê-lo, assim como Moura, de forma negativa.

Esse sentimento de perseguição política permeou “O Agente Secreto”, ambientado no final da violenta ditadura militar brasileira, que começou com um golpe de Estado em 1964 e durou 21 anos. “Este é um filme sobre um país que tem um problema com a memória”, disse Moura, ressaltando que, quando o regime militar terminou, uma lei de anistia livrou os perpetradores da punição. (Com informações do jornal Folha de S.Paulo e do portal de notícias g1)

 

 

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