Segunda-feira, 05 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 3 de janeiro de 2026
O ano de 2025 começou amargo, devido ao receio com a trajetória das contas públicas brasileiras e à expectativa de fortalecimento do dólar com o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. Em janeiro, a Taxa Selic estava em pleno ciclo de alta, a moeda norte-americana passava de R$ 6 e o Ibovespa estava em torno dos 120 mil pontos. Apesar de uma Selic de 15% ao ano (maior patamar em quase dez anos), a bolsa de valores acumulou em 2025 uma valorização de 33,95%, encerrando aos 161 mil pontos. Já o dólar comercial recuou 11% no ano, para R$ 5,48.
Tanto o real quanto o Ibovespa registraram seu melhor desempenho anual desde 2016. O principal índice da Bolsa brasileira rompeu recordes seguidos e registrou quase o triplo de valorização de ativos de renda fixa atrelados à taxa básica.
Como se chegou a isso? O tarifaço anunciado por Trump em abril e que atingiu inclusive aliados históricos dos Estados Unidos, foi em parte responsável por uma redução das aplicações no mercado americano por parte de investidores globais. O início do ciclo de corte nos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), em setembro, contribuiu para esse movimento.
Fator externo
Para Luciano Telo, chefe de investimentos na gestão de fortunas do banco suíço UBS no Brasil, houve um “alinhamento de astros”. Ele avalia:
“O principal fator foi externo. Quando os juros caem, fica favorável investimento em mais risco. O ciclo de corte pelo Fed começou em setembro e deve seguir em 2026. Teve ainda uma desaceleração econômica nos EUA, mas não a ponto de causar recessão, e a sinalização do governo americano de não se importar se o dólar se enfraquecer um pouco mais. Com isso, houve uma diversificação de portfólio do investidor de lá, que buscou caminhos alternativos em outras moedas”.
Já o ouro, habitual porto seguro de investidores, acumulou valorização de 64,91% até ontem, cotado a US$ 4,352,60 a onça troy (31,1 gramas).
O Bitcoin, por sua vez, recuou 5,8% no ano – apesar de o governo Trump ser defensor dos criptoativos. No fim do ano, era negociado a US$ 88,3 mil.
Perspectivas
Em 2026, projetam analistas, o cardápio dos investimentos traz uma perspectiva positiva, mas haverá volatilidade por causa das eleições presidenciais no Brasil.
Com os “preços descontados” — quando se considera que o valor da ação está baixo para o que a empresa pode entregar de lucros no futuro — e com o investidor internacional ainda com apetite para mercados emergentes, Telo vê espaço para o Ibovespa continuar se valorizando no primeiro semestre.
Depois, a “volatilidade eleitoral” deve dominar. Ainda assim, ele defende que o investidor mantenha o foco no longo prazo: “Você tem que ter uma posição de Bolsa para ter resultado positivo na carteira, nem que seja pequena suficiente para não vendê-la em momentos difíceis, de oscilação”. (com informações de O Globo)