Domingo, 11 de Janeiro de 2026

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Ao longo da minha trajetória profissional, aprendi que o mundo dos negócios é uma arena dinâmica, moldada por séculos de construção social e econômica. O capitalismo, tal como o conhecemos no Brasil, foi desenhado em camadas históricas que remontam ao período colonial, passando pela industrialização tardia e chegando ao modelo financeiro globalizado que hoje nos rege. Mas, ao mesmo tempo em que esse sistema nos trouxe avanços, também nos colocou diante de dilemas éticos e ambientais que não podem mais ser ignorados.

Formei-me em Ciências Econômicas, complementei minha formação com extensão em Gestão Estratégica de Empresas e finalizei um MBA em Finanças. Esse percurso me deu embasamento técnico sólido, mas não me completava. Faltava algo que fizesse sentido além dos números, gráficos e balanços. Foi nos negócios sustentáveis que encontrei meu propósito. E aqui cabe explicar: propósito não é apenas uma palavra bonita usada em discursos corporativos. Propósito é a razão de existir de um negócio, aquilo que transcende o lucro imediato e conecta a atividade empresarial a um impacto positivo na sociedade.

A filosofia já nos alertava para isso. Aristóteles falava da “eudaimonia”, a realização plena da vida em harmonia com a virtude. Kant, por sua vez, nos lembrava que a moralidade exige que nossas ações possam ser universalizadas. No campo dos negócios, isso significa que não basta gerar riqueza; é preciso fazê-lo de forma ética, responsável e sustentável.

Minha transformação de executivo bem remunerado para ativista da transição energética aconteceu quase por acaso, como se fosse guiada por algo maior. Quando vivemos em uma sociedade livre, temos a possibilidade de escolher nossos caminhos. Essa liberdade gera infinitas oportunidades, mas também nos coloca diante do desafio de discernir o que é realmente importante. No meu caso, a necessidade de ter uma fonte de renda se converteu em um projeto de vida: desenvolver negócios sustentáveis, buscar tecnologias e soluções que ajudem o Brasil a descarbonizar suas atividades.

O Brasil, no entanto, enfrenta uma barreira cultural significativa. Somos uma sociedade pouco aberta à inovação. Basta observar como demoramos a adotar energias renováveis em larga escala, mesmo sendo um país com abundância de recursos naturais. A energia solar, por exemplo, já é competitiva em termos de custo, mas ainda encontra resistência em setores tradicionais. A mobilidade elétrica, que avança rapidamente em países europeus e asiáticos, aqui ainda é vista com desconfiança. Essa dificuldade de compreender e implantar novas tecnologias decorre de uma mentalidade conservadora, que prefere manter o status quo a arriscar-se no novo.

Modelos contrários ao capitalismo, como o socialismo e o comunismo, também foram experimentados ao longo da história. Eles buscavam corrigir desigualdades, mas muitas vezes falharam em gerar prosperidade e liberdade. O capitalismo verde, por sua vez, não nega o sistema, mas o reinventa: coloca o propósito e a sustentabilidade no centro da lógica empresarial. É uma tentativa de reconciliar crescimento econômico com preservação ambiental e justiça social.

As tecnologias para a transição energética já existem. O desafio não é inventá-las, mas implantá-las com urgência. Precisamos correr para substituir combustíveis fósseis por energias limpas, como solar, eólica e biomassa. Precisamos investir em eficiência energética, em economia circular, em modelos de negócios que reduzam desperdícios e ampliem impactos positivos.

Alinhar propósito e profissão foi, para mim, uma descoberta transformadora. Escrevo sobre sustentabilidade não para assustar ou apavorar, mas para despertar consciências. O aquecimento global é uma realidade criada pelas nossas próprias atividades humanas, e os riscos que corremos são imensos. Mas acredito que, ao construir negócios sustentáveis e verdes, podemos transformar não apenas empresas, mas também mentalidades.

Se mais pessoas se engajarem nesse propósito, teremos a chance de redesenhar o capitalismo brasileiro para o século XXI. Um capitalismo que não seja apenas uma máquina de acumulação, mas um motor de transformação social e ambiental. Esse é o caminho que escolhi trilhar: unir técnica e propósito, razão e ética, profissão e vocação. Porque, no fim das contas, o verdadeiro valor de um negócio não está apenas em seus lucros, mas no legado que deixa para a sociedade e para o planeta.

* Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética

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