Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 29 de janeiro de 2026
A questão ambiental hoje se resume a uma equação simples: não há futuro sustentável com base em combustíveis fósseis. O petróleo, o carvão e o gás natural ainda representam cerca de 80% da matriz energética global, mas são responsáveis por mais de 75% das emissões de gases de efeito estufa. Essas emissões alimentam o aquecimento global, que já elevou a temperatura média da Terra em 1,1°C desde a Revolução Industrial. Parece pouco, mas esse aumento já é suficiente para intensificar furacões, derreter geleiras e provocar secas devastadoras.
A transição energética, portanto, não é apenas uma pauta ambiental: é uma questão de sobrevivência. Migrar para fontes renováveis — solar, eólica, biomassa e hidrogênio verde — significa reduzir drasticamente as emissões e abrir caminho para uma economia menos dependente de recursos finitos. No Brasil, por exemplo, mais de 80% da eletricidade já vem de fontes renováveis, mas o desafio está em setores como transporte e indústria, ainda fortemente dependentes de combustíveis fósseis.
Por que mudar hábitos de consumo
Não basta trocar a fonte de energia; é preciso repensar o consumo. O modelo atual, baseado em descartabilidade e excesso, é insustentável. Para produzir um simples par de jeans, consome-se cerca de 7 mil litros de água. Para alimentar o mundo, a pecuária intensiva emite mais gases de efeito estufa do que todo o setor de transportes. Se mantivermos o ritmo atual, em 2050 precisaremos de quase dois planetas Terra para sustentar a demanda humana.
Mudar hábitos significa optar por menos desperdício, mais eficiência e maior valorização da durabilidade. É escolher transporte coletivo ou bicicleta em vez do carro individual, reduzir o consumo de carne, reutilizar e reciclar. São pequenas mudanças individuais que, somadas, têm impacto coletivo.
As dificuldades da mudança
É claro que não se trata de uma transição simples. Há resistências políticas, econômicas e culturais. Países produtores de petróleo temem perder receitas bilionárias. Indústrias tradicionais relutam em investir em inovação. E consumidores, acostumados ao conforto imediato, resistem a abrir mão de conveniências. Além disso, a infraestrutura necessária para energias renováveis exige investimentos pesados e tempo para implementação.
Mas a dificuldade não pode ser desculpa para a inação. A história mostra que grandes transformações sempre enfrentaram resistência. A revolução digital, por exemplo, parecia impossível há 40 anos. Hoje, ninguém imagina viver sem internet. O mesmo ocorrerá com a transição energética: inevitável, embora árdua.
A certeza da impermanência
Aqui entra uma lição didática: a única certeza da vida é a mudança. Tudo é impermanente. Civilizações surgiram e desapareceram, tecnologias foram substituídas, hábitos se transformaram. A natureza nos ensina isso diariamente: estações mudam, rios se alteram, espécies evoluem. Resistir à mudança é resistir à própria essência da vida. Entender a impermanência é aceitar que o mundo de amanhã não será igual ao de hoje — e que cabe a nós moldá-lo de forma responsável.
O alerta final
O planeta já está nos enviando sinais claros: incêndios florestais cada vez mais intensos, ondas de calor que ultrapassam 50°C em algumas regiões, enchentes que devastam cidades inteiras. Não são “exageros alarmistas”, mas fatos registrados pela ciência. A tranquilidade vendida por discursos negacionistas — de que “a tecnologia dará conta” ou que “a natureza se adapta” — é ilusória. A tecnologia só terá chance se houver vontade política e mudança cultural. A natureza se adapta, sim, mas não necessariamente de forma favorável ao ser humano.
O futuro não está garantido. Está em disputa. E a disputa exige coragem para abandonar velhos hábitos, eliminar os combustíveis fósseis e abraçar a impermanência como motor da transformação. Se não agirmos agora, as próximas gerações herdarão não um planeta sustentável, mas um campo de batalha contra os efeitos irreversíveis da nossa inércia.
(Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética – contato: rena.zimm@gmail.com)