Segunda-feira, 06 de Abril de 2026

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O economista-chefe do banco Bradesco, Fernando Honorato, avalia que o Brasil está bem posicionado para lidar com os efeitos econômicos do conflito no Oriente Médio. Desde o início da guerra, uma das grandes preocupações tem sido a escalada do preço do petróleo, o que colocou os principais bancos centrais em alerta para um possível aumento da inflação.

“A guerra não é boa para ninguém. É um drama humano. Tem várias consequências deletérias e negativas para a economia global, mas o Brasil não está mal posicionado. Não vamos ter dividendos positivos, mas é difícil achar que a gente saia dos trilhos”, diz Honorato.

Por ora, o cenário traçado pelo economista para o Brasil neste ano mudou pouco por causa da guerra. Ele vê a inflação dentro da meta – a alta do petróleo deve ser compensada pela valorização do real -, a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) segue em 1,5%, e há espaço para o Banco Central continuar a reduzir a taxa básica de juros – atualmente em 14,75% ao ano -, ainda que o ciclo de redução da Selic possa ser menor do que o previsto na virada do ano.

“Pensando de forma bem pragmática para 2026, o cenário que a gente vinha enxergando antes da guerra, mais ou menos, se mantém, com um pouco mais de inflação, talvez, com um corte de juro um pouco mais modesto e uma moeda que está mais ou menos estável. Leia a seguir trechos da entrevista:

Nos últimos meses, a economia global assistiu a uma migração de recursos dos EUA para outras economias. Com o conflito no Oriente Médio, quais impactos são possíveis de serem mensurados até agora e quais serão as consequências para o mundo?
Antes da guerra, diante das incertezas com a política econômica americana, essa diversificação se dava em quatro áreas principais: defesa, energia, tecnologia e comércio. São áreas em que as relações com os Estados Unidos estavam sob alguma tensão. A guerra adiciona uma camada de incerteza ao cenário global. O fato de os Estados Unidos terem tomado essa decisão (de fazer o ataque) – e o efeito colateral, esperado ou não, de haver esse choque no preço do petróleo – deve fazer com que os investidores e os empresários prossigam nessa mesma trajetória de diversificação para fora dos EUA depois da guerra. A guerra reforça um padrão que a gente vinha observando antes de que o mundo é mais multipolar. E outra característica importante desse momento é que os Estados Unidos não estão se beneficiando do movimento flight to quality (voo para qualidade). Em outros episódios de crises como esses, estaríamos vendo a treasury de 10 anos fechar e o dólar se fortalecer muito mais. Isso não está acontecendo. O dólar até se fortaleceu um pouco, mas o (título de) 10 anos não está se beneficiando desse processo.

Por que isso tem ocorrido?

Um pedaço disso tem a ver com o risco de a inflação fazer com que os bancos centrais tenham de reverter a política monetária. Isso tem pressionado bastante as curvas de juros no mundo todo, mas isso é mais verdade para a curva curta e deveria ser menos verdade para a curva longa. Para a curva longa, tem um certo receio no mundo dos investidores que é: se os bancos centrais precisam reverter a política monetária e isso faz com que o juro médio seja mais alto por mais tempo, um país como os Estados Unidos, que já é um dos mais endividados do mundo, vai gastar um recurso importante, vai ter uma expansão fiscal importante por causa da guerra e vai ter uma dívida ainda maior. Tem algum receio, alguma cautela dos investidores com o tema do endividamento público e corporativo global à luz dos riscos de uma inflação vinda da guerra. Essa é um pouco a história geral, mas há grandes atenuantes para isso.

Por exemplo?
A China continua exportando deflação para o mundo. E, pessoalmente, eu acho que os bancos centrais não vão passar a subir os juros. É um choque de oferta clássico. Eles (BCs) deveriam acomodar uma parte do choque. É claro que não dá para acomodar o choque todo, se ele se espalhar. A experiência da covid mostrou para a gente que, às vezes, o choque é muito grande. Mas, de toda sorte, eu acho que os bancos centrais não vão para esse caminho de reversão da política monetária. Esse é um pedaço da solução que eu estou vendo. E, do lado da guerra, a gente trabalha com o pressuposto básico de que ela atenue, termine ou esfrie nos próximos meses. Esse é mais ou menos o panorama geral. Isso significa que tem mais inflação nos Estados Unidos e um pouco menos de crescimento nos EUA e na Europa. Com informações do portal Estadão.

 

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