Terça-feira, 27 de Janeiro de 2026

Home Colunistas O elo ignorado: maus-tratos a animais e violência contra mulheres

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O ano de 2026 mal começou e o Rio Grande do Sul já registra números alarmantes de feminicídios. Cada caso representa uma vida interrompida, uma família destruída e uma prova dolorosa de que o Estado, a sociedade e as redes de proteção ainda falham em identificar e agir diante de sinais claros de risco. Um desses sinais, muitas vezes ignorado, é maltratar animais.

Não podemos tratar a violência de forma fragmentada. Quem agride, ameaça ou mata não escolhe apenas uma vítima. A violência é um padrão de comportamento que se repete, se normaliza e se amplia. É exatamente isso que explica a chamada Teoria do Elo, que demonstra a conexão direta entre a crueldade contra animais e a violência interpessoal, especialmente em contextos de violência doméstica contra mulheres, crianças e idosos.

A Teoria do Elo mostra que a crueldade contra animais é um alerta precoce de abusos contra humanos. Em muitos lares, o agressor usa o animal como instrumento de ameaça, punição ou controle psicológico da vítima. Ferir o animal é uma forma de intimidar, calar e dominar. O sofrimento do bichinho se transforma em um marcador de risco para toda a família.

Estudos indicam que cerca de metade das mulheres vítimas de violência relataram ameaças ou agressões contra seus animais de estimação. Esse dado escancara um ciclo de violência que não pode mais ser tratado como coincidência. Não se trata apenas de proteger os animais, o que já é um dever moral e legal. Trata-se de proteger pessoas, antes que a violência escale para tragédias ainda maiores.

Reconhecer esse elo tem impacto direto nas políticas públicas e na atuação das instituições. Veterinários, profissionais da saúde, escolas, assistência social e forças de segurança precisam atuar de forma integrada. Um caso de maus-tratos a animais não pode ser tratado como algo menor. Ele pode ser a porta de entrada para identificar situações graves de violência doméstica.

Defender os animais é também defender pessoas. Incentivar a denúncia de maus-tratos pode revelar e prevenir crimes graves contra mulheres, crianças e idosos. Precisamos fortalecer as redes de proteção, investir em prevenção, campanhas educativas e resposta rápida. A violência deixa rastros. Ignorá-los custa vidas. Enxergá-los pode salvar famílias inteiras.

Como sociedade, precisamos seguir firmes na defesa das mulheres, na proteção dos animais e no enfrentamento de toda forma de violência. Quem respeita a vida, respeita todas as vidas. Denuncie. Não se cale. O silêncio também machuca. E, muitas vezes, mata.

(Vera Armando – Jornalista e vereadora de Porto Alegre)

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