Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 16 de fevereiro de 2026
O fundo de investimentos usado pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para comprar parte da participação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli no resort Tayayá, no Paraná, movimentou R$ 35 milhões. O cruzamento entre as mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro e extratos ajudam a reconstruir a linha do tempo das transações financeiras entre o fundo ligado ao banqueiro e o resort de luxo que teve o ministro como sócio. Toffoli nega a existência de irregularidades.
Pelos documentos, as datas dos aportes, feitos pelo cunhado de Vorcaro, o pastor Fabiano Zettel, são simultâneas à costura da sociedade entre o fundo e a empresa do ministro. Também batem com mensagens obtidas pela Polícia Federal em que o banqueiro diz a Zettel que estava sendo cobrado pelos repasses.
Pastor da igreja Lagoinha, Zettel era o único cotista do fundo Leal, administrado pela Reag Investimentos – também investigada pela PF no caso Master. O Leal, por sua vez, é o único cotista do fundo Arleen, usado para comprar a participação da família Toffoli no resort no Paraná.
No dia 27 de setembro de 2021, o Arleen passou a ser sócio das empresas Tayaya Administração e DGEP Empreendimentos, que são a gestora e a incorporadora dos terrenos onde foi construído o Tayayá. Nessa data, o fundo adquiriu metade da participação de R$ 6,6 milhões em capital social da Maridt S.A. – a empresa de Toffoli – nessas duas companhias, ou seja, no resort.
Em nota divulgada anteriormente, o ministro negou ter “relação de amizade” com Vorcaro e afirmou que “jamais recebeu qualquer valor” pago pelo banqueiro. Ele não se manifestou. A equipe do ministro enviou nota em que afirma que a única operação ocorrida entre a Maridt e o fundo Arleen foi a venda de parte da participação no grupo Tayayá, em setembro de 2021.
“A única e exclusiva operação ocorrida entre a Maridt Participações S.A. e o Fundo Arleen foi a venda de parte de sua participação no grupo Tayayá Ribeirão Claro, realizada em 27 de setembro de 2021, a valor de mercado. Não houve, após essa data, nenhum outro recebimento de recursos pela Maridt, direta ou indiretamente, do referido fundo. O ministro Dias Toffoli reitera que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”, diz o texto. A defesa de Vorcaro não respondeu aos questionamentos. Os advogados de Fabiano Zettel disseram que não iriam se manifestar.
Aportes
Os R$ 3,3 milhões em capital social comprado pelo fundo não representam, nem de longe, o tamanho real do negócio com os irmãos Dias Toffoli. Esse é o dinheiro que o fundo usou para adquirir sua parte do controle da empresa junto a outros sócios. São apenas recursos que sócios colocam à disposição da empresa para eventuais necessidades e também para simbolizar o tamanho de sua fatia na companhia.
Ao comprar essa participação, o Arleen adquiriu também uma parte do empreendimento, que é avaliado em mais de R$ 200 milhões. No total, documentos mostram que o fundo investiu R$ 35 milhões no resort.
Segundo os extratos, nos dias 28 de outubro e 3 de novembro de 2021 Zettel fez aportes de R$ 15 milhões e de R$ 5 milhões no fundo Leal. Nas mesmas datas, o Leal aplicou R$ 14.810.038,35 e R$ 4.936.679,35 no FIP Arleen.
Em janeiro, quando foi revelado que Zettel era o cotista do fundo Leal, ele afirmou que tinha deixado o fundo em 2022. Os papéis do próprio Leal e as mensagens com Vorcaro mostram que, na verdade, ele continuou como cotista e manteve aportes no Tayayá por meio do fundo.
Em maio de 2024, Vorcaro perguntou por mensagem de WhatsApp a Zettel sobre a situação dos repasses ao resort do ministro. “Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”, escreve. O cunhado respondeu: “Te perguntei se poderia ser semana que vem e você disse que sim”.
Depois disso, Zettel apresentou a lista de pagamentos para Vorcaro aprovar. Nessa lista, constava em uma das linhas: “Tayaya – 15”. Para a PF, tratava-se do repasse de R$ 15 milhões ao empreendimento. Vorcaro respondeu: “Paga tudo hoje”. (Com informações de O Estado de S. Paulo)