Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 23 de janeiro de 2026
A população de uma pequena cidade do interior estava em polvorosa.
A única rádio local anunciando todos os dias a previsão que o próximo inverno será muito rigoroso e recomendando aos ouvintes para se precaver do frio intenso.
A notícia chegou ao proprietário da rádio que imediatamente foi conversar com o locutor.
Questionado pelo dono da rádio sobre quais as suas fontes de informação de que o próximo inverno será muito rigoroso, o locutor de pronto deu a resposta:
– Chefe, nosso estúdio é o prédio mais alto da cidade. Daqui de cima e com este binóculo, consigo enxergar a aldeia de índios fora da cidade.
E todos os dias eu vejo os índios carregando e armazenando lenha!
Quando o índio carrega lenha é um sinal muito antigo de que o inverno será muito rigoroso.
Respondeu o locutor, convicto.
– Meu Deus! Exclamou o dono da rádio! Mas e se isso der errado? Onde vai parar a nossa credibilidade?
Preocupado, o dono da rádio foi visitar a aldeia dos índios.
Na aldeia, pediu para falar com o Cacique, explicou a situação e, por sua vez, o cacique disse-lhe que este assunto era com o pajé e apontou para uma tenda onde saia uma fumaça.
O dono da rádio foi até a tenda, pediu licença, com todo respeito, e foi entrando.
Sentado no chão, um senhor bem velhinho, magrinho de cabelos brancos, baforando um cachimbo no canto da boca e de olhos fechados.
Meio constrangido o homem perguntou ao pajé quais eram os elementos da natureza por ele observados ou uma fonte espiritual para afirmar de forma tão convicta que o próximo inverno será muito rigoroso.
O Pajé deu uma baforada no cachimbo, largou uma cusparada no chão e respondeu:
– Meu filho, não tem natureza nenhuma! Isso é coisa do passado.
Tenho um radinho de pilhas e todos os dias eu ouço o locutor da rádio dizer que o inverno será muito rigoroso e então mando o pessoal aqui recolher bastante lenha.
– o –
Essa pequena historinha jocosa é um breve exemplo dos equívocos que sucumbimos em nossas ações e reações.
Quer um exemplo?
O governador Eduardo Leite foi vaiado recentemente em um evento em Rio Grande.
O que está por trás deste episódio?
As mesmas circunstâncias dos índios do inverno rigoroso.
Uma instituição nefasta, e totalmente equivocada, chamada eleições de 2° turno.
2° turno é uma falsa verdade que não é mentira.
Os eleitos em 2°turno são escolhidos de forma distorcida e não por vontade convicta do eleitor.
Na minha opinião, 2° turno e voto obrigatório nos fazem repetir erros.
Escolher nossos gestores públicos não pode ser por rejeição nem por obrigação.
Os partidos políticos montam suas alianças baseados na lógica do 2° turno.
Partidos abandonam alianças, adversários viram aliados e conchavos oportunos de toda ordem.
…É a política, dirão.
Sim, é uma política. Construída em uma que não é mentira, mas também não traduz uma verdade.
As identidades programáticas não existem mais ou talvez nunca existiram, ficaram as pessoas e seus grupos de interesse.
Nós somos os índios equivocados por nossas próprias ações, e seguimos “pajés” que falam por nós e nos alertam para carregar lenha para o próximo inverno rigoroso.
(Rogério Pons da Silva – jornalista e empresário – rponsdasilva@gmail.com)