Segunda-feira, 09 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 8 de março de 2026
O Palácio do Planalto depende do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para destravar votações importantes e frear Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) em um momento no qual o escândalo do Banco Master assombra o governo, o Congresso e o Supremo Federal (STF).
A preocupação do Planalto é que vazamentos de movimentações financeiras do empresário Fábio Luís, o Lulinha, e a crise do Master provoquem impactos imprevisíveis na disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal desafiante.
Pesquisa Datafolha divulgada no sábado (7) mostrou crescimento das intenções de voto em Flávio, que aparece agora como um nome competitivo. Nas simulações do primeiro turno, o senador já se aproxima do presidente. Na segunda rodada, os dois estão tecnicamente empatados: Lula com 46% e Flávio com 43%.
Levantamentos qualitativos em poder do Planalto também indicam que todos os escândalos da atual temporada, dos desvios no pagamento de aposentadorias do INSS à teia de corrupção do Banco Master, são debitados pela maioria dos eleitores na conta do governo.
Lula e Alcolumbre conversaram por telefone na última semana, mas ainda há muitos nós a desatar entre os dois. A atual crise é classificada no meio político como mais explosiva até do que a desencadeada pela Operação Lava-Jato porque, desta vez, atinge em cheio o Judiciário.
A nova prisão do dono do Master, Daniel Vorcaro, na esteira de uma investigação envolvendo indícios de fraudes no sistema financeiro e vínculo com o crime organizado, expôs ainda mais as ligações do banqueiro com a cúpula dos três Poderes.
Estão nas mãos de Alcolumbre decisões cruciais para Lula neste ano eleitoral. Constam da lista a prorrogação ou não da CPI do INSS, o andamento da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma cadeira no STF e a convocação de sessão do Congresso para manter ou derrubar o veto de Lula ao projeto de lei que reduz penas dos condenados por atos golpistas.
O projeto beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso em unidade do Complexo Penitenciário da Papuda, conhecida como Papudinha. Aliados do governo temem que o escândalo do Master ressuscite agora a pressão por anistia.
Em mensagens de celular descobertas pela Polícia Federal, Vorcaro citou reuniões com Lula, Alcolumbre, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), entre outras autoridades. Além disso, dados extraídos do telefone do banqueiro mostram que ele trocou mensagens com o ministro do STF Alexandre de Moraes em 17 de novembro de 2025, horas antes de ser preso pela primeira vez. Moraes rebateu, sob o argumento de que aqueles conteúdos não eram endereçados a ele.
Pressão
Alcolumbre tem sido pressionado por uma ala do Senado a abrir processos de impeachment contra Moraes, que é vice-presidente da Corte, e Dias Toffoli, além de uma CPI exclusiva para investigar o escândalo do Master. Já avisou, no entanto, que não fará uma coisa nem outra e nem estenderá a CPI do Crime Organizado.
Para o deputado Duarte Jr. (PSB-MA), vice-presidente da CPI do INSS, ministros do Supremo deveriam comparecer à comissão parlamentar de inquérito para se explicar. “Nós não queremos implodir a República, mas, se não há nada errado, que se esclareça. É possível encontrar a verdade”, disse o deputado, defendendo a prorrogação da CPI, que termina no dia 28, por mais dois meses.
Na avaliação do governo, porém, a CPI só serve de palanque para a oposição desgastar Lula, que vai concorrer ao quarto mandato. A sete meses das eleições, o relacionamento entre o presidente e Alcolumbre tem sido marcado por desconfianças de parte a parte. Mas, na prática, há uma via de mão dupla nesse jogo. Motivo: Alcolumbre também precisa de Lula para reeleger o governador do Amapá, Clécio Luís (União Brasil), candidato apoiado por ele.
De qualquer forma, o Planalto se surpreendeu com a decisão do presidente do Senado de manter a votação da CPMI do INSS que aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Lulinha, filho do presidente. Dias depois, no entanto, o ministro do STF Flávio Dino suspendeu a ordem do colegiado.
Diante de tanta turbulência, a polêmica em torno da indicação de Jorge Messias para o lugar de Luís Roberto Barroso, magistrado que se aposentou no ano passado, foi até ofuscada. Alcolumbre ainda tem resistências a Messias, que é evangélico, porque gostaria de emplacar na vaga o senador e amigo Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
No último telefonema, Lula assegurou a ele, porém, que as negociações para Pacheco assumir a candidatura ao governo de Minas Gerais avançaram. A ideia é que o senador dê palanque ao presidente no segundo maior colégio eleitoral do País, embora ainda não haja acordo sobre o partido que o abrigará. (Com informações de O Estado de S. Paulo)