Sábado, 17 de Janeiro de 2026

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O Voa Brasil, programa que oferece passagens aéreas por R$ 200 a aposentados, registrou 52 mil bilhetes vendidos entre julho de 2024 e o início deste mês. O volume representa apenas 1,7% dos três milhões de bilhetes prometidos para os primeiros 12 meses de operação.

O programa foi pensado em formato que não depende de subsídio público e também não representa custos para as companhias. Mas depende diretamente da vontade das empresas. Isso porque o acordo prevê a disponibilização de passagens ociosas – aquelas que não são vendidas por falta de demanda, resultando em assentos vagos nos aviões.

Apesar do baixo número, o governo não tem um diagnóstico claro ou plano para alavancar a iniciativa. O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), que coordena o Voa Brasil, diz não saber quantas passagens realmente foram disponibilizadas. “A participação é voluntária e condicionada à ociosidade dos assentos”, afirmou o ministério em nota.

Após a publicação da reportagem, o MPor enviou nota em que afirma que “os sistemas de reservas das companhias aéreas são baseados em algoritmos que buscam otimizar a precificação de forma dinâmica, ajustando as tarifas em tempo real, mediante fatores como nível de demanda e oferta, sazonalidade e concorrência”.

Os dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que durante os 17 meses do programa cerca de 30 milhões de assentos viajaram vagos em voos nacionais. O Voa Brasil era descrito pelo MPor como um dos pilares da promessa de democratização do acesso à aviação, feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha de 2022. A estimativa oficial era de que 23 milhões de pessoas estariam aptas a participar da primeira fase. O governo prometia lançar uma segunda fase ainda no primeiro semestre de 2025, com inclusão de estudantes de instituições públicas, o que não ocorreu.

Após dois meses do início das vendas, ainda em 2024, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, disse ter certeza de que o programa faria “muitos aposentados viajarem pelo País”. “Nós esperamos, nessa primeira fase, incluir mais de 1,5 milhão de turistas que nunca viajaram de avião”, afirmou na ocasião.

Considerando que, nos primeiros 12 meses, foram vendidas pouco mais de 40 mil passagens, o público efetivamente alcançado pode se limitar a cerca de 20 mil pessoas, já que cada beneficiário tem direito a dois trechos por ano. Observando o montante de 52.135 bilhetes ao longo dos 17 meses, apenas 26 mil pessoas podem ter sido alcançadas. Ainda que excedendo o prazo, a meta foi cumprida entre 0,86% e 1,73%.

Questionado sobre qual seria o diagnóstico para o baixo número de passagens vendidas, o Ministério de Portos e Aeroportos afirmou que “a adesão ao Programa depende de múltiplos fatores, entre eles o conhecimento da iniciativa por parte do público-alvo e desafios de acesso e familiaridade com os serviços digitais”.

Então, questionou-se o porquê de a segunda etapa não ter sido lançada para ampliar o público-alvo e assim aumentar a procura. Como a segunda etapa iria englobar estudantes, seria possível, em tese, superar os supostos desafios de acesso e familiaridade com os serviços digitais.

O MPor respondeu que a ampliação do público-alvo depende de definição de bases de dados confiáveis e válidas quanto à representatividade. “No caso do público de aposentados pelo INSS, essa base é disponibilizada diretamente pela autarquia e processada em sistema hospedado pelo Serpro”.

O ministério afirmou que, no que se refere ao público de estudantes, os esforços de pesquisa conduzidos pela pasta identificaram limitações relacionadas às características dos dados disponíveis para sua utilização no programa. “É fundamental que toda passagem comprada por intermédio do Voa Brasil atenda à sua finalidade principal: garantir o acesso a públicos não frequentes em viagens aéreas, ampliando a diversidade e buscando uma função de equidade.”

A reportagem perguntou à Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), que representa Azul, Gol e Latam, se o número de assentos disponibilizados ao Voa Brasil é conhecido. Questionou-se também qual a dinâmica de oferta ao programa.

A entidade respondeu com a seguinte nota: “As companhias aéreas mantêm uma oferta de passagens destinadas ao Voa Brasil, um programa do governo federal alinhado ao compromisso da Abear e das empresas associadas de ampliar o acesso da população ao transporte aéreo. Desde o lançamento, as companhias vêm colaborando com a iniciativa e reafirmam a disposição de trabalhar conjuntamente com o governo para aperfeiçoar o programa e viabilizar a inclusão de mais brasileiros na aviação.” (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)

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