Domingo, 01 de Fevereiro de 2026

Home Política O PSD passa a ter três governadores presidenciáveis e se consolida como articulador de uma candidatura de centro-direita, fora da polarização Lula-Bolsonaro

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O PSD anunciou a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, num movimento que redesenha o tabuleiro eleitoral de 2026, reforça a ambição do partido de ocupar papel central na sucessão presidencial e abre uma janela de oportunidade para a constituição de uma candidatura de centro-direita. Pelo que fez, e pela forma como fez, o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, parece conceber uma alternativa simultânea ao bolsonarismo, que dificilmente abrirá mão da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), e ao petismo, com o qual o PSD mantém laços institucionais, já que ocupa espaços no atual governo.

Aproveitando-se das divisões em outros partidos da centro-direita, como União Brasil e PSDB, Kassab levou para o PSD três governadores com projeção nacional: Caiado, Ratinho Junior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul. Nenhum deles exibe, individualmente, a força eleitoral do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Mas Tarcísio tem deixado claro, até aqui, que não baterá de frente com o bolsonarismo e deve concorrer à reeleição estadual. Com sua provável saída do jogo nacional, o campo da direita e da centro-direita passou por uma reorganização relevante, abrindo espaço para novas articulações e reposicionamentos.

Ao receber Caiado, Kassab afirmou que o PSD pretende lançar candidatura própria ao Palácio do Planalto e que não atuará como linha auxiliar nem do governo Lula nem do bolsonarismo. Os governadores, por sua vez, falaram em protagonismo, na necessidade de apresentar ao eleitorado uma alternativa viável e na disposição de disputar o espaço hoje ocupado por uma polarização que dá sinais evidentes de esgotamento.

Esses movimentos não ocorrem no vácuo. Com eles, aumentam as chances de uma candidatura de centro-direita que entre na disputa sem se confundir com o bolsonarismo – ou, ao menos, que se coloque à parte dele. Também se fortalece a hipótese de uma candidatura com identidade mais claramente centrista, amparada por um partido com estrutura nacional, capilaridade nos Estados e consistência político-partidária. Nesse desenho, o PSD desponta como o principal instrumento dessa tentativa de reorganização do campo político.

Isso não significa, contudo, que o bolsonarismo esteja fora do jogo. Ao contrário. Hoje, dificilmente Flávio Bolsonaro desistirá da disputa presidencial. O senador herda parcela expressiva dos votos do pai, dialoga diretamente com a base bolsonarista raiz e tem aparecido de forma competitiva nas pesquisas. Trata-se de um ativo eleitoral concreto, que confere ao bolsonarismo resiliência mesmo sem Jair Bolsonaro no páreo.

A diferença é que cresce agora a possibilidade de a direita chegar ao primeiro turno dividida. De um lado, uma candidatura identificada com o bolsonarismo; de outro, ao menos uma candidatura de centro-direita, menos ideológica e mais pragmática. A entrada de novos protagonistas tende a intensificar a competição por espaço, visibilidade e estratégia política rumo às eleições.

É nesse contexto que o papel de Gilberto Kassab se torna ainda mais estratégico. Ao anunciar seus movimentos com cautela e evitar compromissos antecipados, o dirigente se descola tanto do bolsonarismo quanto do lulopetismo, o que lhe garante margem de manobra para montar palanques fortes nos Estados, negociar alianças regionais conforme as circunstâncias locais e preservar a flexibilidade necessária para o segundo turno. Em um sistema político marcado pela fragmentação e pela volatilidade, essa independência é um ativo raro.

Ainda é cedo para selar caminhos definitivos. Mas já é possível afirmar que o PSD deixou de ser apenas um partido pragmático à espera de oportunidades. Sob a condução de Kassab, tornou-se um dos principais organizadores do campo político fora da polarização. Se essa centralidade se converterá em protagonismo eleitoral é uma incógnita. Que ela será decisiva para compreender a eleição de 2026, disso já não parece haver dúvida. (Editorial publicado no jornal O Estado de S. Paulo)

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