Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 15 de fevereiro de 2026
De tempos em tempos, faz bem avaliar o jogo político do esporte. As coisas têm andado rápido sob a tutela da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o que é uma surpresa positiva, considerando-se o retrospecto da própria entidade, mas essa agilidade não tem ocorrido da mesma forma no âmbito dos clubes. Estes têm empacado nas divergências entre si e, até agora, não executaram o plano mais importante: uma liga nacional.
Para o colunista Rodrigo Capelo, do jornal O Estado de S. Paulo, a CBF sob a presidência de Samir Xaud “fez em menos de um ano o que as administrações anteriores enrolaram por décadas”. Redução dos campeonatos estaduais, Brasileirão jogado desde o começo do ano, fair play financeiro, modernização da arbitragem. Falta viabilizar a liga de clubes, que, parece, é a próxima bola.
“Quando escrevo Samir Xaud, entenda: menos o presidente, mais as pessoas no entorno dele”, escreve Capelo. “Claro que ele poderia segurar o jogo e servir ao atraso, como fez o antecessor dele, Ednaldo Rodrigues, afinal é o mandatário que tem tinta na caneta. Mas ele tem deixado o jogo rolar. E há pessoas em rápida ascensão.”
Pode-se citar Chico Mendes, diretor do IDP e responsável pela CBF Academy, que ampliou seu escopo além da área educacional. Ele é filho de Gilmar, ministro do STF. Também há Flavio Zveiter, que tentou articular a liga em nome da Libra, hoje vice-presidente da CBF. Entre lideranças de origem em federações estaduais, há Gustavo Feijó, Gustavo Henrique Dias, Michelle Ramalho, Ricardo Gluck Paul.
Se essas e outras pessoas têm tocado as transformações do futebol em função de projetos pessoais de poder, ou não, pelo menos as decisões corretas têm sido tomadas – fato inexistente desde antes da saída de Ricardo Teixeira da CBF. Agora vem a encruzilhada mais difícil: passar a bola do Brasileirão aos clubes.
Um problema neste caso é que a Libra foi esvaziada, em partes pelas disputas com o Flamengo de Luiz Eduardo Baptista, em partes porque os outros dirigentes não quiseram comprar certas brigas. A cada presidente que troca ou cai, como no Grêmio e no São Paulo, a unidade de outrora se esvai. “Não se espera nada dali”, prossegue o colunista.
A questão envolve a Libra (Liga do Futebol Brasileiro) e a FFU (Futebol Forte União), blocos comerciais criados em 2022 por clubes brasileiros. O objetivo é para negociar direitos de transmissão (principalmente do Campeonato Brasileiro de 2025 a 2029) e estruturar o futebol nacional, dividindo a maioria das equipes das Séries A e B em diferentes propostas de distribuição de receita e governança.
Um problema é a composição do FFU. Suas decisões comerciais são tomadas pelos clubes em conjunto com investidores, que compraram 10% a 20% de seus direitos comerciais por 50 anos. Esses investidores querem fundar uma liga, até para valorizar o ativo que compraram. Faltou combinar com a CBF.
Já a CBF não vê razão para tratar de assuntos de organização do campeonato com os tais investidores. Há rixas aparentemente insuperáveis nos bastidores, como entre articuladores da Confederação e alguns dos investidores do FFU. É aí que o jogo empatou em zero a zero. “Ficamos nós à espera das próximas jogadas”, finaliza Capelo. (com informações de O Estado de S. Paulo)