Quarta-feira, 25 de Março de 2026

Home Política O setor de saúde sofrerá um impacto relevante caso a escala 6×1 seja extinta

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O setor de saúde deve enfrentar impacto relevante caso a escala 6×1 seja extinta e a jornada semanal de trabalho, atualmente limitada a 44 horas, seja reduzida. A avaliação é de analistas do banco BTG Pactual, que destacam a natureza contínua das operações de hospitais e laboratórios, que funcionam 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana.

Diferentemente de segmentos como educação e serviços administrativos, a diminuição da carga horária no setor de saúde exigiria a contratação imediata de novos profissionais para manter o mesmo nível de atendimento. Isso ocorre porque a legislação trabalhista não permite a redução proporcional de salários. Segundo estimativas dos analistas, uma redução de 44 para 40 horas semanais demandaria um aumento de aproximadamente 10% no quadro de funcionários das empresas.

Na análise de Samuel Alves e Maria Resende, o impacto negativo no Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (Ebitda) das companhias do setor deve variar entre 3% e 3,5%. Empresas como Rede D’Or, Hapvida, Grupo Fleury, Dasa e Mater Dei tenderiam a ser impactadas de maneira semelhante.

O relatório pondera, no entanto, que o efeito final dependerá de eventuais medidas compensatórias por parte do governo federal, como a desoneração da folha de pagamento ou a concessão de incentivos fiscais. Também não se descarta a possibilidade de repasse de custos aos preços dos serviços, o que poderia pressionar planos de saúde e atendimentos particulares.

Apesar dos desafios operacionais e financeiros, o banco mantém a Rede D’Or como sua principal recomendação no setor. A avaliação é que a eventual mudança regulatória afetaria os concorrentes de forma relativamente equilibrada, sem alterar de maneira significativa a posição competitiva da companhia, que segue beneficiada por seu ritmo de expansão e por oportunidades em fusões e aquisições. O Grupo Fleury também é apontado como uma alternativa atrativa, especialmente por sua geração consistente de caixa.

Atualmente, tramitam no Congresso Nacional três propostas principais para alteração da jornada de trabalho. Uma delas prevê a adoção imediata do modelo 4×3, com carga semanal de 36 horas. Outra proposta sugere uma transição gradual para esse mesmo patamar ao longo de dez anos. Já uma terceira alternativa estabelece a redução inicial para 40 horas semanais, com posterior diminuição para 36 horas no prazo de quatro anos. O tema ganhou força recentemente, impulsionado pelo apoio do governo federal e pelo ambiente político de ano eleitoral, elevando a atenção de investidores e agentes do setor.

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