Sexta-feira, 24 de Abril de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 24 de abril de 2026
Há momentos em que, ao nos reconstruirmos, encontramos alguém que nos entrega ensinamentos tão profundos que não se limitam ao espiritual, mas tocam o próprio sentido da existência. Sundarí, ou Michele Plestch, é uma dessas presenças. Sua orientação, enraizada em saberes ayurvédicos — a medicina tradicional da Índia que busca o equilíbrio entre corpo, mente e espírito — abriu caminhos que se estendem para além da saúde física, alcançando dimensões filosóficas e existenciais.
Entre suas referências está o hinduísmo, especialmente os ensinamentos de Sri Ramada Mandir, mestre que enfatiza a devoção, a disciplina e a busca pela verdade interior. Ao lado dele, outros líderes espirituais compõem uma constelação de vozes que iluminam a jornada humana. E mesmo para quem nasceu e cresceu na tradição cristã, como eu, o coração imaculado de Jesus permanece como marca indelével. Uma vez que Cristo adentra a alma, a identidade cristã nunca se perde. Mas a busca por ensinamentos universais nos convida ao ecletismo, a viajar por diferentes caminhos espirituais sem abandonar nossas raízes.
Foi Sundarí quem me apresentou à Lei do Tempo, o Tzolkin, calendário sagrado maia que organiza a vida em ciclos e sincronicidades. Esse conhecimento é mais que curiosidade histórica: é um néctar de sabedoria que nos ensina a perceber o tempo como energia viva, como matriz que sustenta a existência.
Sundarí, em uma de suas lições, disse-me que as pessoas sábias falam do tempo. Essa frase ficou gravada em mim, pois percebi que minhas melhores leituras e músicas sempre giraram em torno desse tema. “O Tempo e o Vento”, de Érico Veríssimo, “Tempo Rei”, de Gilberto Gil, e “Oração ao Tempo”, interpretada por Maria Bethânia, são exemplos de como a arte traduz essa dimensão mágica.
O tempo, ao contrário da artificialidade do calendário gregoriano — criado pelo Império Romano com fins fiscais, já que “calendário” deriva de calendula, o caderno de impostos — carrega sabedoria. Ele cura feridas, apresenta desafios, revela ciclos e sincronicidades. É a verdadeira e única matrix, e quem conseguir decifrá-la poderá captar a magia que se manifesta em cada dia, em cada estação, em cada harmonia cósmica.
Mas Sundarí também me mostrou que o tempo se revela em práticas concretas de cuidado e presença. Os florais da Amazônia, por exemplo, são um puro néctar dos saberes da floresta, gotas de cura que carregam a energia ancestral das plantas e nos conectam com a força vital da natureza. O tratamento com florais é mais que terapêutico: é um mergulho na sabedoria da floresta, um convite à reconexão com o que é essencial. Da mesma forma, as aulas de yoga revelam que a respiração e o estado de presença são a essência do viver. Cada inspiração e expiração nos lembram que o tempo não é apenas cronológico, mas também experiência, consciência e entrega.
Este artigo é uma declaração de gratidão à minha mestre Sundarí, mas também a todos os mestres que me guiaram. É um compromisso de honrar os ensinamentos recebidos e de reconhecer que acumular sabedoria é mais importante do que acumular informação. Ser humano é ser peça de um jogo cósmico, e o tempo é o grande tabuleiro.
Agradeço a Sundarí por me mostrar que o tempo é mais que cronologia: é energia, é vida, é caminho. Agradeço também a todos os mestres que me ensinaram a não perder o rumo da jornada, a levantar-me quando caio, a não derrapar nas curvas e a manter a fé na humanidade. Ainda sou um aprendiz, consciente de que há uma longa estrada de conhecimento e amadurecimento pela frente. Mas sigo com a certeza de que cada ensinamento, cada ciclo e cada sincronia são convites para viver em harmonia com o tempo, esse mestre invisível que nos guia e nos transforma.
– Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética
Contato: rena.zimm@gmail.com