Quarta-feira, 18 de Maio de 2022

Home Porto Alegre Onda de calor e estiagem afetam o abastecimento de água em Porto Alegre

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O forte calor previsto para esta semana em Porto Alegre, com temperaturas que podem atingir ou superar 40ºC, aliado à falta de chuva em todo o estado do Rio Grande do Sul, está afetando parte do sistema de abastecimento de água da Capital.

Conforme o Dmae (Departamento Municipal de Água e Esgotos), o calor intenso estimula o alto consumo de água e a região abastecida pelo Sistema Belém Novo, área com conhecido déficit, está sentindo os efeitos de falta de água.

A atual estação, que tem capacidade para tratar até 1.200 litros por segundo, está produzindo uma média de 856 litros por segundo, o que, em horários de pico de consumo, não é suficiente para manter os reservatórios cheios e atender a demanda das zonas Sul, Extremo-Sul, Lomba do Pinheiro e Restinga.

“A estiagem está piorando os sintomas já sentidos nos últimos verões pelo sistema Belém Novo e estamos trabalhando com força máxima para tentar minimizar esses efeitos com as armas que possuímos. Porém, a situação da estiagem supera a nossa capacidade operacional”, afirma o diretor-geral do Dmae, Alexandre Garcia.

Entre as séries de medidas que estão sendo adotadas, estão a instalação de comportas para isolar as captações em momentos de maior turbidez do lago Guaíba, a atuação de mergulhadores para melhorar o entorno da captação, manobras de parada de estações de bombeamento para encher os reservatórios e retomar a distribuição, assim como o planejamento de caminhões-pipa para atender as comunidades, em contato com as Subprefeituras.

“Entendemos as dificuldades pelas quais os moradores estão passando, mas pedimos a máxima conscientização da população, para que não desperdicem a água”, complementa Garcia. Conforme o titular da pasta, a solução definitiva para este problema é o novo SAA (Sistema de Abastecimento de Água) Ponta do Arado, que já está em construção e que deve ficar pronto em 2024.

Dificuldade na captação e distribuição

No ponto de captação da água para tratamento, na baía de Belém Novo, a baixa do nível no Guaíba, associado ao vento, tem gerado alta turbidez da água bruta.

Ou seja, a água está mais turva, com mais material particulado próximo às margens, dificultando a captação e o tratamento. As unidades de ultrafiltração (UFs), contratadas em 2019 para dar um gás ao tratamento enquanto as obras da Ponta do Arado não ficam prontas, também estão com dificuldades de operação, reduzindo o potencial de tratamento e distribuição de água.

Para se ter uma ideia, a qualidade da água captada normalmente no Guaíba atinge uma média de 30 a 50 unidades de turbidez (NTU). Nas condições atuais, o valor chega a 1.000 NTUs, que é o topo da escala do turbidímetro (medidor). Quando a água bruta entra na Estação de Tratamento com alta turbidez, é preciso aumentar a dosagem de coagulantes e reduzir a vazão, para manter o padrão de potabilidade e a qualidade da água que é distribuída à população.

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