Terça-feira, 29 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 28 de setembro de 2026
No âmbito da segunda fase da operação “Disco de Ouro”, a Justiça Federal recusou pedido da Polícia Federal (PF) para que fosse bloqueado R$ 1 milhão das contas do ex-zagueiro paulista Pedro Geromel, 41 anos, um dos ídolos da história recente do Grêmio. A negativa tem por base a constatação de que os elementos encontrados até agora não provam envolvimento do atleta que atuou de 2014 a 2024 no clube gaúcho, onde encerrou a carreira.
A ofensiva investiga um esquema complexo de lavagem de dinheiro, além de apurar a extração e a comercialização ilegal de cassiterita — minério nobre fundamental na cadeia de produção de estanho — extraída irregularmente de dentro da Terra Indígena Yanomami.
Durante o avanço das apurações, que incluiu quebras de sigilo fiscal e financeiro de suspeitos e empresas envolvidas, os investigadores detectaram uma transferência bancária de R$ 1 milhão realizada diretamente pela empresa investigada, a Metalsur Comercial de Aços. O destinatário era o ex-capitão do Tricolor gaúcho.
Diante desse fluxo financeiro atípico no radar da inteligência policial, a corporação formalizou o pedido de bloqueio judicial imediato da referida quantia nas contas do ex-jogador. No entanto, o entendimento do magistrado responsável pelo caso seguiu uma linha de cautela institucional.
A Justiça ponderou que, ao menos nesta fase preliminar, a mera identificação de uma transferência ou a menção de um nome nos relatórios financeiros não configura, de forma isolada, prova cabal e definitiva de participação direta em crimes ou evidência incontestável de origem ilícita dos valores recebidos.
Para o tribunal, medidas cautelares invasivas de sequestro de bens e bloqueio patrimonial exigem um grau de robustez probatória que ainda precisa ser consolidado ao longo da instrução processual, resguardando o direito à ampla defesa e afastando qualquer presunção antecipada de culpa.
O inquérito policial também joga luz sobre outras figuras de projeção pública que cruzaram com o ecossistema financeiro sob escrutínio. Dentre os nomes citados nos relatórios da força-tarefa estão outro ex-atleta com trajetória ligada ao Grêmio: o volante Lucas Leiva, 39 anos, apontado como receptor de repasse de R$ 125 mil. Na lista de alvos também consta o cantor mineiro Alexandre Pires.
Ofensiva
O avanço da Polícia Federal revela a dimensão monumental da rede ilícita mapeada pelos investigadores. No foco está um esquema sofisticado e que teria permitid movimentar e fraudar cerca de US$ 48 milhões (quase R$ 250 milhões).
No centro da engrenagem criminosa, apontados pela polícia como os principais articuladores e mentores do esquema de lavagem e garimpo ilegal, estão dois empresários gaúchos, um dos quais tem forte conexão com o meio artístico. Isso explicaria a presença de transações volumosas entre as contas das empresas da rede e celebridades nacionais, cujos papéis exatos e o grau de ciência sobre a origem dos recursos continuam sob apuração. Daí o nonme o nome “Disco de Ouro” escolhido pela PF para nomear a ofensiva.