Quinta-feira, 12 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 12 de março de 2026
A Polícia Civil do Rio de Janeiro, o Ministério Público do Rio (MPRJ) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública deflagraram, na manhã desta quinta-feira (12), a Operação Shadowgun. A ação investiga um esquema interestadual de produção e venda de armamentos fabricados com impressoras 3D.
Até o momento, quatro homens haviam sido presos — entre eles o apontado como líder do grupo, localizado em Rio das Pedras, no interior de São Paulo.
Os agentes saíram às ruas para cumprir cinco mandados de prisão e 36 de busca e apreensão. As ordens judiciais são executadas em São Paulo, no Rio de Janeiro e em outros nove estados. Todos os investigados foram denunciados pelo MPRJ.
Segundo as investigações conduzidas pela 32ª Delegacia de Polícia (Taquara) e pelo Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (CyberGaeco/MPRJ), o grupo produzia e vendia principalmente carregadores de armas de fogo fabricados por impressão 3D. Também divulgava projetos de chamadas “armas fantasmas”, que não possuem número de série ou rastreabilidade.
Os denunciados devem responder na Justiça pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de arma de fogo.
A operação conta com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) do Ministério da Justiça e Segurança Pública, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e de policiais civis de outros dez Estados.
Os Estados são: Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina e São Paulo.
Como funcionava
As investigações começaram após um órgão internacional compartilhar com o Ciberlab um alerta sobre publicações em redes sociais que ofereciam armas produzidas por impressão 3D.
De acordo com a apuração, o principal produto disseminado pelo grupo era uma arma semiautomática impressa em 3D. O projeto era acompanhado por um manual técnico detalhado e por um manifesto ideológico em defesa do porte irrestrito de armas.
Segundo a Polícia Civil, o líder da organização é um engenheiro especializado em controle e automação. Utilizando um apelido e sempre com o rosto coberto, ele publicava nas redes sociais vídeos de testes balísticos, atualizações de design e orientações sobre calibração e montagem das armas.
O suspeito também teria elaborado um manual com mais de 100 páginas explicando o processo de fabricação. O material permitiria que pessoas com conhecimento intermediário em impressão 3D produzissem armamentos em casa utilizando equipamentos de baixo custo.
As investigações indicam que os arquivos e instruções circulavam em redes sociais, fóruns especializados e também na chamada dark web. O grupo ainda utilizava criptomoedas para financiar as atividades ilegais.