Sexta-feira, 17 de Julho de 2026

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O projeto de lei orçamentária anual (Ploa) de 2027 deve prever um aporte da União nos Correios para apoiar o processo de recuperação da empresa, que vive a pior crise de sua história. Pelo plano de reestruturação da estatal, a capitalização deveria ser de ao menos R$ 6 bilhões até o fim de 2027, mas ainda não está definido se a proposta orçamentária contemplará todo esse valor. O governo tem de apresentar o Ploa até 31 de agosto, para ser avaliado pelo Congresso Nacional.

Um integrante da equipe econômica afirma que será necessário avaliar qual é o espaço disponível para acomodar o gasto com o aporte diante das restrições fiscais. Uma possibilidade é que o projeto de lei preveja um montante menor, que, posteriormente, a depender das condições, seja complementado.

A avaliação é que alguma alocação deve ser feita, não só porque houve um compromisso, mas também porque o aporte do controlador é importante em qualquer processo de reestruturação para garantir um futuro sustentável à empresa.

No caso dos Correios, a visão é que a capitalização é complementar ao esforço da estatal para reduzir seus custos e melhorar seu faturamento.

BofA, Citi e Deutsche

Os Correios registram perdas desde 2022. Em 2025, o resultado negativo foi de R$ 8,5 bilhões, o pior da sua história. A expectativa é que o prejuízo seja ainda maior este ano, devido aos gastos necessários para o plano de reestruturação, com a previsão de retorno ao lucro apenas em 2027. No primeiro trimestre de 2026, o rombo foi de R$ 3,1 bilhões.

Antes do aporte, outra medida que deve dar maior fôlego financeiro para apoiar a reestruturação da estatal é um novo empréstimo. Segundo interlocutores, estão avançadas as negociações para captação de R$ 7 bilhões com um conjunto de bancos estrangeiros que atuam no Brasil.

Bank of America (BofA), Citibank e Deutsche Bank devem participar da operação, que, como no empréstimo do ano passado, terá garantia da União. Os bancos não comentaram.

O novo contrato de crédito deve complementar a operação de R$ 12 bilhões fechada no fim do ano passado com os maiores bancos do País: Itaú, Santander, Bradesco, Caixa e Banco do Brasil. A operação tem prazo de pagamento de 15 anos, com três anos de carência e juros equivalentes a 115% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) ao ano, taxa de referência de empréstimos diários entre os bancos e próxima à Selic.

Para integrantes da equipe econômica, é saudável que a nova operação seja realizada por outros bancos, especialmente considerando a robustez dos prováveis participantes, sem envolver instituições públicas. Na avaliação de um interlocutor, esse desenho reduz questionamentos sobre eventuais conflitos de interesse.

Problemas 

Já houve alertas do Tribunal de Contas da União (TCU) ao governo em relação à atuação do Tesouro Nacional na análise do primeiro empréstimo e na própria avaliação do governo do plano de reestruturação dos Correios. A corte determinou aprimoramentos, mas a Advocacia-Geral da União (AGU) recorreu da decisão.

Ainda que considere qualquer sugestão de aprimoramento bem-vinda, o governo entende que seguiu o rito adequado e defende que não aconteceu nada que justifique uma intervenção, já que o plano está em vigor e precisa de tempo para dar resultados.

Os Correios, no entanto, vêm enfrentando algumas dificuldades com o plano de recuperação, principalmente em relação à redução das despesas. Houve frustração com o Plano de Demissão Voluntária (PDV) anunciado no começo do ano, e a cúpula da estatal teve de interromper, este mês, três medidas de corte de gastos para evitar uma greve dos funcionários.

Por outro lado, a empresa tem firmado uma série de parcerias para aumentar receitas, como a comercialização e a distribuição dos selos do Inmetro. (Com informações do jornal O Globo)

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