Quinta-feira, 08 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 7 de janeiro de 2026
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse nesta quarta-feira (7) que o plano americano para a Venezuela é composto de três fases — sendo a última delas a transição de poder das mãos do chavismo. Segundo Rubio, os EUA planejam a estabilização do país, seguida da recuperação econômica e, então, uma transição de poder.
Desde a captura de Nicolás Maduro pelos EUA, no sábado (3), o poder tem sido exercido por sua vice, Delcy Rodríguez, um dos principais nomes do chavismo. Rubio não falou em realização de eleições, nem em detalhes sobre como Washington pretende executar o plano. Na terça-feira (6), Rodríguez afirmou que não havia “agente externo” governando a Venezuela.
“O primeiro passo é a estabilização do país. Não queremos que ele mergulhe no caos”, disse o secretário de Trump. Pouco depois das declarações do secretário, no entanto, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que pensar em um calendário eleitoral para a Venezuela ainda é “muito prematuro” ao ser questionada sobre o assunto por jornalistas em sua coletiva de imprensa.
Segundo Rubio, parte da estabilização inclui uma “quarentena” da Venezuela no mercado internacional, e a apreensão de petroleiros faz parte desse plano. “Eles têm óleo que está preso na Venezuela. Eles não podem movê-lo por causa da nossa quarentena e porque está sancionado. Nós vamos tomar entre 30 e 50 milhões de barras de óleo. Nós vamos vendê-lo no mercado, nas taxas de mercado, não nas descontos que a Venezuela estava recebendo”, disse Rubio.
“Esse dinheiro será, então, tratado de uma forma que nós vamos controlar como é distribuído, de uma forma que beneficie as pessoas venezuelas, não a corrupção, não o regime.” “O segundo passo será um passo que chamamos de recuperação, e é garantir que os americanos, o leste e outras empresas tenham acesso ao mercado venezuelano de uma forma justa.”
“Também, ao mesmo tempo, começar a criar o processo de reconciliação nacional, dentro da Venezuela, para que as forças da oposição sejam anistizadas e liberadas de prisões ou trazidas para o país e comecem a reconstruir a sociedade civil. E, então, a terceira fase, é claro, será a de transição”, disse o secretário de Estado.
Rubio disse que não revelaria detalhes do plano sensíveis ou que ainda estão sendo discutidos. Ele não mencionou a possibilidade de uma nova operação americana em território venezuelano ou a nomeação de um interventor.
Petroleiros abordados
Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta a apreensão do petroleiro Marinera (antigo Bella 1), ligado à Venezuela e que navega sob bandeira russa, e do Sophia, que também opera com o petróleo de Caracas.
A apreensão do petroleiro tem o potencial de escalar as tensões entre Washington e Moscou. O governo da Rússia repudiou a apreensão do petroleiro e afirmou que a ação dos EUA violou o direito marítimo e que “não havia jurisdição para o uso da força”. A Casa Branca afirmou anteriormente que a apreensão respeitaria o direito internacional por acusar o navio de navegar sob bandeira falsa.
Venezuela pós-Maduro
Após a captura de Nicolás Maduro por forças militares dos EUA, numa operação em Caracas, a Presidência tem sido exercida por sua vice, Delcy Rodríguez. Rodríguez era a vice-presidente de Maduro e a primeira na linha de sucessão. A Suprema Corte, controlada pelos chavistas, ordenou que ela assumisse o cargo por 90 dias — prazo este que poderá ser estendido.
Rodríguez, uma advogada trabalhista de 56 anos conhecida por suas fortes ligações com o setor privado e sua devoção ao chavismo, tomou posse perante seu irmão Jorge, presidente da Assembleia Nacional.
O pai de ambos foi um líder revolucionário torturado e morto pelo governo venezuelano nos anos 1970, na época apoiado pelos EUA.