Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 12 de janeiro de 2026
Uma semana após a operação dos Estados Unidos na Venezuela, que culminou na prisão de Nicolás Maduro, detalhes da inteligência que cercou a missão começam a ficar claros, mas muitos mistérios ainda permanecem. A ofensiva exigiu meses de planejamento e coleta de informações. Acredita-se que a agência americana de inteligência (CIA) enviou uma equipe de agentes infiltrados à Venezuela em agosto.
Os Estados Unidos não possuem uma embaixada operacional no país, portanto, a equipe não pôde usar cobertura diplomática e operou no que é conhecido no mundo da inteligência como uma “zona restrita”. Seu objetivo era identificar alvos e recrutar indivíduos que pudessem fornecer assistência.
Autoridades americanas afirmaram que tinham uma fonte específica que forneceu informações detalhadas sobre o paradeiro de Maduro, o que teria sido crucial para a operação. A identidade dessas fontes geralmente é fortemente protegida, mas logo se soube que se tratava de uma fonte “governamental” que devia ser muito próxima de Maduro e fazer parte de seu círculo íntimo para saber onde ele estava e quando.
Isso gerou intensa especulação sobre quem seria essa fonte e o que aconteceu com ela. No entanto, sua identidade ainda não foi divulgada. Todas as informações de inteligência humana coletadas em campo foram colocadas em um “mosaico” de informações para planejar a operação, em conjunto com informações técnicas, como mapas e imagens de satélite. A escala, a velocidade e o sucesso da operação foram inéditos.
“Tudo funcionou perfeitamente. Isso não acontece com frequência”, explica David Fitzgerald, ex-chefe de operações da CIA na América Latina, que também participou do planejamento da missão com os militares americanos.
“Não foram as táticas militares que conduziram a operação, mas sim a inteligência.”
Cerca de 150 aeronaves participaram da missão, com helicópteros chegando a apenas 30 metros do solo para alcançar o complexo de Maduro. No entanto, alguns mistérios permanecem. Um deles é exatamente como os EUA conseguiram desligar as luzes em Caracas para permitir a chegada das forças especiais.
“As luzes em Caracas foram em grande parte desligadas graças a uma certa expertise que possuímos; estava escuro e perigoso”, declarou o presidente dos EUA, Donald Trump.
O fato de o Comando Cibernético dos EUA ter recebido elogios públicos por seu papel na operação levou à especulação de que hackers militares americanos teriam se infiltrado previamente nas redes venezuelanas para desligar a rede elétrica no momento exato. Mas há poucos detalhes sobre isso. A falha das defesas aéreas chinesas e russas também gerou especulações sobre o tipo de tecnologia de interferência ou guerra eletrônica que os EUA implantaram no ar para apoiar a operação.
O Comando Espacial dos EUA, que opera satélites, também recebeu reconhecimento por criar uma “rota” para que as forças especiais entrassem sem serem detectadas.
Acredita-se também que drones tenham sido utilizados. Os detalhes exatos das capacidades usadas provavelmente permanecerão em segredo, mas os rivais dos EUA farão de tudo para entender o que aconteceu. Os planejadores de operações complexas dizem ser extraordinário que tudo tenha corrido conforme o planejado, algo que raramente acontece.
Um helicóptero foi atingido por tiros, mas conseguiu continuar voando, e nenhum membro das forças americanas foi morto. Poucos detalhes ainda são conhecidos sobre a batalha que ocorreu no complexo de Maduro, o Forte Tiuna.
O governo cubano informou que 32 de seus cidadãos foram mortos pelas forças americanas. Trata-se de guarda-costas fornecidos por Cuba para proteger Maduro. Cuba não só fornece guarda-costas, como também amplo apoio de segurança ao regime.
“Dentro do perímetro imediato de Maduro, provavelmente não havia agentes de segurança venezuelanos e, no perímetro externo, talvez uma mistura de ambos [países]”, diz Fitzgerald.
O fato de terem se mostrado tão ineficazes também levantou questões sobre se alguns elementos do regime facilitaram a missão de alguma forma.
As forças americanas também conseguiram alcançar Maduro enquanto ele tentava se trancar em uma sala fortificada, mas antes que pudesse fechar a porta. Eles tinham maçaricos e explosivos prontos para abrir a porta, se necessário, mas a rapidez da prisão sugere, mais uma vez, um conhecimento incrivelmente detalhado da planta do complexo. (Com informações do portal de notícias BBC Brasil)