Domingo, 14 de Junho de 2026

Home Variedades Paciente tem recuo de sinais do Alzheimer com cogumelos

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Uma mulher de 80 anos, diagnosticada com doença de Alzheimer avançada, apresentou uma melhora temporária e inesperada de diversos sintomas da doença após receber doses elevadas de cogumelos contendo psilocibina, substância psicodélica popularmente associada aos chamados “cogumelos mágicos”. O caso, descrito no dia 27 de maio na revista Frontiers in Neuroscience, chamou a atenção da comunidade científica por registrar ganhos em áreas como comunicação, mobilidade, continência urinária e interação emocional — funções que normalmente estão severamente comprometidas nos estágios finais da condição.

Apesar do resultado considerado intrigante, os próprios autores fazem um alerta importante: trata-se de um relato de caso único, sem grupo de comparação e sem condições de estabelecer uma relação de causa e efeito. Em outras palavras, a pesquisa não demonstra que a psilocibina seja um tratamento realmente eficaz contra o Alzheimer nem que a substância é capaz de reverter ou atrasar a progressão da doença.

Administração dos cogumelos
A paciente, uma mulher nipo-americana cujo nome não foi divulgado, convivia com o diagnóstico havia cerca de dez anos. Nos cinco anos anteriores à intervenção, encontrava-se em estágio avançado da enfermidade, com fala predominantemente monossilábica, dependência para locomoção e atividades diárias, dificuldades para engolir alimentos e incontinência urinária crônica.

A intervenção com os cogumelos ocorreu em uma clínica privada, dentro da legislação local, e com a autorização dos responsáveis legais da paciente. Inicialmente, ela recebeu 5 gramas de cogumelos da variedade Enigma, uma cepa conhecida pela elevada concentração de compostos psicoativos.

Os efeitos imediatos foram compatíveis com o esperado para uma dose considerada muito alta. A mulher apresentou suor intenso, suspeita clínica de hipertermia (aumento anormal da temperatura corporal) e permaneceu por longo período em um estado semelhante ao sono profundo.

A mudança mais surpreendente ocorreu cerca de 19 horas depois. “Aproximadamente 19 horas após a administração, a paciente iniciou espontaneamente uma conversa autobiográfica que durou várias horas”, relataram os autores.

Nos dias seguintes, familiares e profissionais observaram melhorias em diferentes aspectos do funcionamento. Entre elas, estavam a recuperação da continência urinária, maior capacidade de caminhar, aumento da comunicação espontânea, maior participação em interações sociais e respostas emocionais mais expressivas.

De acordo com o estudo, ela passou a reconhecer familiares com mais facilidade, voltou a realizar algumas atividades de forma independente e demonstrou capacidade de recuperar memórias contextuais. Um mês depois da primeira intervenção, parte desses ganhos ainda permanecia.

Diante da manutenção de algumas melhoras clínicas, especialmente da continência urinária, os responsáveis optaram por realizar uma segunda sessão supervisionada, desta vez com 3 gramas de cogumelos contendo psilocibina.

Nessa experiência, a paciente apresentou maior fluência verbal, expressões faciais mais variadas, episódios espontâneos de humor e lembranças autobiográficas carregadas de emoção. Também observaram maior agilidade ao caminhar e aumento da reciprocidade emocional.

Embora o caso tenha gerado interesse, os pesquisadores ressaltam que ainda não é possível explicar exatamente por que a paciente apresentou essas mudanças. O estudo não contou com exames de neuroimagem, biomarcadores específicos da doença, testes cognitivos padronizados ou monitoramento fisiológico detalhado. Além disso, por envolver apenas uma pessoa, não é possível descartar completamente a influência de flutuações naturais do quadro clínico. Com informações da Revista Galileu.

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