Quarta-feira, 07 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 5 de janeiro de 2026
Após o ataque dos Estados Unidos à Venezuela no sábado (3), países vizinhos consultaram como o Brasil se posicionaria a respeito da ação militar que capturou Nicolás Maduro.
Ao menos um chanceler da região fez contato com a embaixada brasileira para saber de que forma o governo Lula pretendia se manifestar.
O presidente brasileiro disse que a ofensiva ultrapassava uma “linha inaceitável” e que os atos representava uma “afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”. Chile, Colômbia e México também condenaram o ataque.
Outros países, no entanto, seguiram caminho oposto. A Argentina celebrou o sequestro de Maduro, enquanto a Bolívia afirmou que apoiava o povo venezuelano na “recuperação de sua democracia”, classificando o atual governo como “narcoestado”.
ONU
Enquanto Maduro era apresentado às autoridades judiciais americanas, a apenas alguns quarteirões dali, na sede das Nações Unidas, o Conselho de Segurança da ONU realizava uma reunião de emergência sobre os acontecimentos do fim de semana, com aliados e adversários de Washington expressando preocupações e condenando a ação militar, que a delegação americana tentou reduzir a uma operação policial que contou com auxílio militar.
A reunião emergencial do Conselho de Segurança — primeiro encontro do órgão em 2026 — começou por volta das 12h (em Brasília), quando fotos de Maduro escoltado por forças de segurança americana em direção ao tribunal já haviam circulado na imprensa internacional. Quando o líder chavista respondeu, em espanhol, como se declarava frente as acusações, as delegações diplomáticas ainda apresentavam suas posições no fórum multilateral.
Em uma das primeiras manifestações da tarde, o embaixador da Rússia, Vasily Nebenzya, fez um apelo pela libertação de Maduro.
“Em relação aos relatos confirmados sobre a presença do presidente sequestrado da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa nos EUA… Hoje, como sabemos, eles estão em Nova York… Apelamos à liderança dos EUA para que liberte imediatamente o presidente legitimamente eleito de um Estado independente e sua esposa”, afirmou Nebenzya, em uma sessão marcada por críticas ao modus operandi americano.
A categorização da captura e extração do presidente da Venezuela como um “sequestro” foi tratada com maior profundidade pelo embaixador do país na ONU, Samuel Moncada, que repetiu o uso do termo para destacá-lo e classificou toda a ação como um “ataque armado ilegítimo sem qualquer justificativa legal”.
“Permitir que tais atos fiquem sem resposta efetiva equivale a normalizar a substituição do direito pela força e a erodir os fundamentos mínimos da segurança coletiva”, afirmou Moncada. “Hoje está em jogo não só a soberania da Venezuela, mas a credibilidade do direito internacional, a autoridade desta organização.”
A delegação venezuelana se pronunciou após a fala do embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, que defendeu a regularidade da operação na Venezuela e negou que Washington estivesse “ocupando” o país sul-americano ou declarando guerra ao povo ou ao território venezuelano.
No âmbito do Conselho de Segurança, diversos países observadores pediram a palavra, incluindo o Brasil, com muitos deles condenando a operação dos EUA como uma imposição por meio da força e uma violação de princípios básicos da Carta da ONU, como a solução pacífica de conflitos, respeito à soberania e à integridade territorial. Em uma mensagem por escrito, Antonio Guterres, o secretário-geral da ONU, expressou preocupação com os acontecimentos e cobrou respeito pela independência política dos Estados.
“O direito internacional contém instrumentos para abordar questões como o tráfico ilícito de narcóticos, as disputas por recursos e as preocupações com os direitos humanos. Este é o caminho que devemos seguir”, disse Guterres, na mensagem lida pela subsecretária-geral para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz, Rosemary DiCarlo.
Entre os membros permanentes do Conselho de Segurança — aqueles que têm poder de veto —, a China se uniu à Rússia em uma condenação expressa. Pequim se mostrou “profundamente chocada” pelos “atos unilaterais, ilegais e ameaçadores dos EUA” e, além de pedir a libertação de Maduro, afirmou que “nenhum país pode agir como a polícia do mundo ou presumir ser a Justiça internacional”.
A França — aliado histórico dos EUA e integrante-chave da Otan — afirmou que a operação contrariou princípios legais e demonstrou preocupação com a “proliferação de violações da Carta da ONU e do direito internacional por um Estado investido da responsabilidade como membro permanente do Conselho de Segurança”. Em um posicionamento menos crítico, o Reino Unido cobrou respeito à ordem internacional, mas fez críticas ao governo Maduro. (Com informações do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo)