Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 10 de fevereiro de 2026
Prestes a completar 105 anos em maio de 2026, o Palácio Piratini, sede do Governo do Rio Grande do Sul, inaugura uma nova fase em sua história ao adotar pela primeira vez um Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS). A iniciativa, inédita no coração do Poder Executivo estadual, representa um avanço significativo na gestão pública e ambiental, reforçando o compromisso do governo com a sustentabilidade e o uso eficiente dos recursos públicos.
Um plano histórico
O PGRS foi elaborado e implementado pela empresa Botanismo Soluções Ambientais, de Sapiranga, escolhida por meio de processo licitatório. O trabalho, concluído em dezembro de 2025, envolveu diagnóstico detalhado, coleta de informações, elaboração técnica dos documentos e capacitação de servidores.
Foram produzidos três documentos estratégicos:
Esses planos abrangem todas as dependências do complexo localizado na Praça Marechal Deodoro, no Centro Histórico de Porto Alegre: Ala Governamental, Ala Residencial, Galpão Crioulo, Oficina de Restauro, jardins, prédios administrativos da Casa Civil e imóveis da Rua Duque de Caxias.
Conformidade e inovação
O PGRS é exigência da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) para grandes geradores de resíduos. Mais do que atender à legislação, o plano estabelece procedimentos para manejo adequado, redução de impactos ambientais e proteção à saúde de trabalhadores e da população.
Segundo Keli Bernardes, sócia-diretora da Botanismo, o diagnóstico foi essencial: “O levantamento de todos os resíduos gerados é muito importante para definir sua classificação, formas de segregação e acondicionamento para que ocorra uma coleta e destinação final ambientalmente adequada.”
Ela destaca que o plano vai além da exigência legal: “É um instrumento que garante tratamento e destinação correta dos materiais descartados, evitando impactos ambientais e promovendo eficiência no uso dos recursos públicos.”
Oficinas e capacitação
A implantação do PGRS incluiu oficinas de capacitação com servidores da Casa Civil, Casa Militar, Secretaria de Comunicação e Gabinete do Governador. As atividades reforçaram a conscientização sobre separação, coleta e destinação correta dos resíduos, consolidando uma política permanente de boas práticas ambientais.
Comparativos e impacto prático
Poucas sedes de governo no Brasil possuem planos tão abrangentes. Em Brasília, por exemplo, o Palácio do Planalto ainda não conta com um PGRS estruturado em todas as suas áreas. No cenário internacional, palácios históricos como o Palácio de Buckingham (Reino Unido) e o Palácio Real de Madrid (Espanha) já adotaram práticas de gestão ambiental, mas o Piratini se destaca por integrar saúde, construção civil e administração em um único plano.
O impacto prático é relevante: estima-se que a correta segregação e destinação possa reduzir em até 40% o volume de resíduos enviados a aterros, além de gerar economia nos contratos de coleta e transporte.
Metas e próximos passos
O plano contempla metas de redução, reutilização e reciclagem, além de diretrizes claras sobre responsabilidades, monitoramento e educação ambiental. Como próximo passo, a Casa Civil prevê a criação de uma Comissão Permanente de Gestão de Resíduos, encarregada de acompanhar ações, avaliar resultados e propor melhorias contínuas.
Um símbolo de modernidade
O Palácio Piratini, inaugurado em 1921 e projetado pelo arquiteto francês Maurice Gras, é um dos símbolos do Rio Grande do Sul. Ao adotar o PGRS, o prédio histórico se conecta ao futuro, mostrando que tradição e modernidade podem caminhar juntas.
Mais do que um marco administrativo, a iniciativa reforça a ideia de que a gestão pública deve ser exemplo em sustentabilidade. O Piratini, que já testemunhou momentos decisivos da história política gaúcha, agora se torna também referência em práticas ambientais. (por Gisele Flores)