Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 15 de janeiro de 2026
O presidente Lula (PT) será o único chefe de governo dos países membros do Mercosul que não participará da cerimônia de assinatura do acordo de livre comércio do bloco com a União Europeia, neste sábado (17), no Paraguai. O Itamaraty informou que o Brasil será representado pelo chefe da pasta, o chanceler Mauro Vieira.
Isso porque a ideia inicial era que os países fossem representados apenas por seus chanceleres ou ministros da área econômica. Entretanto, o presidente paraguaio, Santiago Peña, convidou seus homólogos para participarem do evento, dada a importância do acordo, que vinha sendo negociado há mais de 25 anos.
O argentino Javier Milei, que sempre foi crítico do Mercosul, já tendo comparado o bloco a uma “cortina de ferro”, confirmou presença. Depois que o tratado recebeu luz verde dos países europeus, o ultraliberal celebrou o avanço como uma vitória pessoal.
Lula, por sua vez, deverá reunir-se nesta sexta (16), véspera do evento, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, no Rio de Janeiro. Os dois europeus depois seguirão viagem ao Paraguai, e o petista ficará de fora.
A relação de líderes confirmados foi publicada pela Folha de S. Paulo pelo governo paraguaio. Completam a lista Yamandú Orsi (Uruguai), Rodrigo Paz (Bolívia) e José Raúl Mulino (Panamá).
Tensão entre vizinhos
A ausência confirmada do presidente brasileiro, que sempre defendeu fortalecimento do Mercosul, fez com que, nessa semana, a imprensa argentina tratasse o fato como mais um capítulo do distanciamento entre Lula e Milei, que tem divergências escancaradas e trocaram farpas publicamente.
Questionados sobre esse tipo de especulação, integrantes do governo petista rechaçam que a decisão de Lula tenha qualquer relação com algum tipo de divergência entre os chefes de Estado do bloco. Pelo contrário, em condição de anonimato, argumentam que Lula tem uma relação republicana com todos os três presidentes do bloco.
Apesar de o Planalto negar qualquer mal-estar entre Lula, Peña e Milei, os presidentes de Brasil e Paraguai mostraram descompasso num evento recente para a inauguração da Ponte Internacional da Integração Brasil-Paraguai, localizada em Foz do Iguaçu (PR), na fronteira entre os dois países. A obra teve de ser inaugurada duas vezes, nos diferentes países, porque Lula e Peña não conseguiram compatibilizar suas agendas.
“Eu quero explicar para vocês por que eu não estou aqui com o Santiago Peña, presidente do Paraguai. Ele não podia, na data de hoje, porque ele tem um problema em Assunção de ordem familiar, me parece, e eu não podia amanhã à tarde, porque eu termino o Mercosul e vou ter que viajar para Brasília. Portanto, como eu não podia amanhã à tarde, ele não podia hoje à tarde, o que aconteceu? Eu inauguro o lado brasileiro, ele inaugura o lado paraguaio e ganham Brasil e Paraguai, porque a ponte estará definitivamente inaugurada”, afirmou Lula na ocasião. Com informações da Folha de S. Paulo e Valor Econômico