Quinta-feira, 18 de Julho de 2024

Home em foco Parceria do governo Lula com evangélicos exclui religiosos bolsonaristas

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Em mais uma tentativa de se aproximar dos evangélicos, entre os quais encontra resistência, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) firmou parcerias em projetos de combate à fome com 27 agremiações religiosas, mas deixou de fora algumas das mais importantes do segmento e capitaneadas por nomes alinhados ao bolsonarismo, como a Universal do Reino de Deus e a Assembleia de Deus Vitória em Cristo. A iniciativa é do Ministério do Desenvolvimento Social, comandado por Wellington Dias.

Lideranças dessas denominações afirmaram não terem sido convidadas para o evento em que o acordo de cooperação foi assinado na sede de Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio, com a presença do ministro. Procurada, a pasta informou detalhes sobre o programa, mas não respondeu se essas igrejas haviam sido convidadas para a agenda. Ainda acrescentou que a parceria pode ser solicitada por todas as igrejas, independentemente da denominação ou linha religiosa.

No encontro, representantes de diferentes vertentes protestantes assinaram dois compromissos para contribuir com o desenvolvimento de dois programas específicos: o Plano Brasil Sem Fome e o Pacto pela Redução da Pobreza, ações que têm como objetivo facilitar o acesso à renda, à alimentação, assim como promover ações conjuntas entre o Palácio do Planalto e a sociedade civil para combater a desigualdade social. O papel das entidades é identificar as pessoas mais vulneráveis e encaminhá-las para fazer inscrição no Cadastro Único (CadÚnico) para que possam fazer parte de programas sociais do governo, como o Minha Casa Minha Vida e o Bolsa Família.

Ausências

Líder da Assembleia de Deus dos Últimos Dias, o pastor e deputado federal Marcos Pereira (Republicanos-SP) foi o nome de maior peso que esteve na assinatura de acordos. O partido dele hoje integra a base aliada de Lula.

O fundador da Sara Nossa Terra, bispo Robson Rodovalho, afirmou que gostaria de ter estado presente. “Não soube de nada, sequer fomos avisados. Até o momento, não há aceno do governo ou qualquer intercomunicação construída. Seguimos abertos ao diálogo”.

O presidente da bancada evangélica no Congresso, Silas Câmara (Republicanos-AM), disse não ter visto qualquer movimentação sobre o encontro. Na avaliação dele, isso confirma o afastamento entre a ala religiosa e o atual chefe do Executivo. O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), ligado a Silas Malafaia, afirmou que as agremiações escolhidas pelo governo não representam o segmento.

“Os rostos são desconhecidos, sem relevância nenhuma. Devem ser de pequenas igrejas, que não representam nada”, diz Sóstenes.

A tese é confirmada por um dos maiores articuladores do atual presidente em sua campanha no ano passado, o pastor Paulo Marcelo Schallenberger, também da Assembleia de Deus. “Acaba sendo um aceno aos progressistas. Essas entidades são pequenas, sem nenhum grande impacto”.

Progressistas

Na lista de signatários à proposta de Wellington Dias há representantes da Assembleia de Deus e das igrejas Batista e Presbiteriana —a grande maioria filiada a confederações neopentencostais que têm proximidade com grupo de religiosos que se autointitulam “evangélicos progressistas”. Principal representante desta categoria, o pastor Cesário Silva, filiado ao PT em Jundiaí, elogiou a iniciativa.

“Foi um gesto muito inteligente por parte do governo, um olhar necessário para as entidades evangélicas. Nós (evangélicos progressistas) estamos fazendo parte do governo que se mostra a cada dia mais sensível”, declarou Cesário.

Oposição

Alguns dos que aderiram à parceria, porém, já demonstraram alinhamento com o campo político adversário do PT. Os pastores Marcus Claudiano, da Convenção Interde-nominacional de Ministros e Igrejas do Brasil e Exterior (Conimibe) e Tony Vandré, do Ministério Tabernáculo Church, declararam apoio ao expresidente Jair Bolsonaro (PL) nas últimas eleições. Claudiano chegou a fazer duras críticas a Lula e ao Supremo Tribunal Federal (STF) nas redes sociais, referindo-se ao atual presidente como “condenado”

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