Segunda-feira, 21 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 20 de setembro de 2026
Embora seja natural sentir tristeza diante de algumas situações, quando o sofrimento se torna persistente e passa a comprometer o dia a dia, pode indicar um problema de saúde mental. Especialistas afirmam que, além do tratamento médico, manter vínculos com familiares e amigos, participar de atividades sociais e ter ocupações que tragam propósito e satisfação são fatores que podem contribuir para a prevenção e o tratamento da depressão na terceira idade.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 15% dos adultos com 70 anos ou mais têm algum transtorno mental. A OMS aponta que a solidão e o isolamento são alguns dos principais causadores desses problemas em idosos. Por isso, a psicóloga Valmari Cristina Aranha, membro da Comissão de Formação Gerontológica da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, destaca que manter relações sociais e encontrar novos objetivos faz toda a diferença nesse momento da vida.
— É importante convidar o idoso para atividades que o coloquem próximo de outras pessoas. Chamar para atividades interessantes e que façam parte do contexto social dele. A inserção em atividades terapêuticas, que pode ser uma atividade física, arteterapia, musicoterapia e o trabalho voluntário, que faz com que o idoso reencontre um proposito na vida. É importante que seja uma atividade que faça a pessoa existir além da depressão — diz a especialista.
Para a psicóloga Karen Jones, da Said Rio, empresa especializada em assistência domiciliar, um dos principais desafios é diferenciar as mudanças naturais relacionadas ao envelhecimento dos sintomas que podem indicar sofrimento emocional nos idosos.
— É muito comum que sinais de depressão sejam interpretados como parte da velhice. O idoso pode ficar mais quieto, deixar de participar de atividades que antes gostava, apresentar alterações no sono ou no apetite e se queixar mais de dores físicas. Esses sinais precisam ser observados em conjunto e, principalmente, em comparação com o comportamento habitual daquela pessoa — alerta Karen.
Familiares e cuidadores devem ficar atentos para identificar os primeiros sinais da depressão e apoiar o tratamento. A participação da família e a manutenção de vínculos sociais podem contribuir para o bem-estar emocional do idoso.
— O mais importante é não minimizar o sofrimento do idoso. Frases como “isso é da idade” ou “ele sempre foi assim” podem fazer com que um problema seja ignorado. A depressão é uma condição de saúde e pode ser acompanhada e tratada por profissionais. Quanto antes os sinais forem percebidos, mais rápido podemos buscar ajuda — enfatiza Karen.
Para a psicóloga, a atenção à saúde mental deve fazer parte do cuidado integral durante o envelhecimento.
— Cuidar de um idoso não significa apenas acompanhar seus medicamentos ou garantir que esteja fisicamente bem. Também precisamos observar como ele está se sentindo, se mantém seus vínculos, se encontra prazer na rotina e se continua exercendo sua autonomia. Saúde mental também é qualidade de vida — ressalta Karen.
Saiba quais são os sintomas mais comuns
Entre os sinais mais comuns que podem indicar um quadro depressivo estão perda de interesse em atividades que faziam parte da rotina e eram agradáveis, isolamento social, alterações no sono, mudanças de apetite, falta de energia, dificuldade de concentração, sentimentos de inutilidade ou culpa e dores físicas sem causa aparente. Em alguns casos, o idoso também apresenta irritabilidade e mudanças de humor sem demonstrar tristeza de forma evidente.
— Depressão é uma doença que merece atenção e avaliação adequada. Na pessoa idosa, nem sempre aparece associada à tristeza. Muitas vezes, surge por meio de alterações comportamentais e sintomas físicos, como falta de energia, isolamento social e discursos de autodepreciação, com frases como “eu não sirvo mais para nada” ou “sou um peso para os outros”. A pessoa fica mais passiva e isolada, apresenta falta de interesse por atividades que gostava, cansaço excessivo e falta de motivação — afirma a psicóloga Valmari Cristina Aranha. Com informações do portal Extra.