Sexta-feira, 06 de Fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 6 de fevereiro de 2026
O percentual de famílias brasileiras com algum tipo de dívida alcançou 79,5% em janeiro, o nível mais alto já registrado pela série histórica, igualando o recorde observado em outubro do ano passado. O indicador considera compromissos como cartão de crédito, financiamentos, empréstimos e carnês.
Os dados fazem parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta sexta-feira (6) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Apesar do avanço do endividamento, a pesquisa aponta uma melhora no quadro de inadimplência, com queda pelo terceiro mês consecutivo.
Em dezembro, o índice de famílias endividadas era de 78,9%. Em janeiro de 2025, o percentual atingia 76,1%, o que evidencia uma tendência de alta ao longo do último ano.
A análise por faixa de renda mostra que o endividamento é mais concentrado entre as famílias de menor rendimento. Entre aquelas com renda mensal de até três salários mínimos, 82,5% têm algum tipo de dívida. Já nas famílias com renda superior a dez salários mínimos, o índice recua para 68,3%. Desde janeiro, o salário mínimo está fixado em R$ 1.621.
Perfil das dívidas
O cartão de crédito segue como a principal modalidade de endividamento das famílias brasileiras, presente em 85,4% dos lares endividados. Em seguida aparecem os carnês (15,9%), o crédito pessoal (12,2%), o financiamento de imóveis (9,6%) e o financiamento de veículos (8,7%). Também são citados o crédito consignado (6%), o cheque especial (3,4%), outras dívidas (2,5%) e o cheque pré-datado (0,3%).
Segundo a Peic, o tempo médio de comprometimento com as dívidas é de 7,2 meses, ou seja, esse é o período médio restante para a quitação dos débitos. Já a parcela da renda mensal comprometida com dívidas corresponde, em média, a 29,7% do orçamento familiar. Quase uma em cada cinco famílias (19,5%) afirmou ter mais da metade da renda mensal comprometida com pagamentos de dívidas.
A pesquisa ouviu cerca de 18 mil famílias em todo o país e considera dívidas com cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e financiamentos de veículos e imóveis.
A CNC destaca que o endividamento, por si só, não é necessariamente negativo, pois faz parte da dinâmica do consumo e contribui para a atividade econômica. O alerta, no entanto, ocorre quando as famílias passam a enfrentar dificuldades para honrar os compromissos, caracterizando a inadimplência.
Dívidas em atraso
Em janeiro, o percentual de famílias com dívidas em atraso ficou em 29,3%, recuando pelo terceiro mês consecutivo. Em outubro, o índice era de 30,5%. A inadimplência também é mais elevada entre as famílias de menor renda: nos lares com até três salários mínimos, 38,9% têm contas atrasadas. Entre aqueles com renda superior a dez salários mínimos, o percentual cai para 14,9%.
O tempo médio de atraso no pagamento das dívidas foi de 64,8 dias. Além disso, 12,7% das famílias afirmaram que não terão condições de quitar os débitos em atraso.
Impacto dos juros
Segundo a CNC, o patamar elevado dos juros dificulta a amortização das dívidas e pressiona o orçamento das famílias. A taxa básica de juros da economia, a Selic, está em 15% ao ano, o maior nível desde julho de 2006, quando atingiu 15,25%.
Definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, a Selic influencia todas as demais taxas de juros da economia, incluindo aquelas cobradas do consumidor. O juro elevado é utilizado como instrumento de combate à inflação, mas encarece o crédito e tende a frear o consumo e os investimentos, com reflexos sobre o nível de atividade econômica e o mercado de trabalho.
Projeções
A CNC projeta que o endividamento das famílias deve continuar em alta ao menos até o primeiro semestre, podendo chegar a 80,4% em junho. Para a inadimplência, a estimativa é de recuo gradual, com o índice se aproximando de 28,9% no mesmo período.
A expectativa é de que uma eventual redução da Selic, sinalizada pelo Banco Central a partir de março, comece a aliviar o custo do crédito nos meses seguintes, embora o efeito sobre o orçamento das famílias deva ocorrer de forma gradual.