Segunda-feira, 29 de Junho de 2026

Home Acontece Pesquisa CNT em parceria com Fetransul percorre 9 mil km no RS

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Vander Costa (CNT) e Francisco Cardoso (Fetransul) destacam que o estudo técnico servirá de base para políticas públicas e parcerias privadas voltadas à segurança e competitividade do transporte rodoviário.

A 29ª edição da Pesquisa CNT de Rodovias começou nesta segunda-feira (29), em Porto Alegre, com ato simbólico no Sítio do Laçador. O levantamento, realizado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) em parceria com a Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Rio Grande do Sul (Fetransul), vai avaliar 117.016 km de rodovias pavimentadas em todo o Brasil e, no estado, terá foco em 8.998 km de estradas.

Reconhecida como a principal referência técnica sobre infraestrutura viária, a pesquisa analisa pavimento, sinalização e geometria das rodovias, fornecendo dados que subsidiam políticas públicas, investimentos e estratégias logísticas. No Rio Grande do Sul, o estudo ocorre em um cenário crítico: em 2025, foram registrados 4.899 acidentes, com 327 mortes e impacto econômico de R$ 1,04 bilhão.

O peso do modal rodoviário

O presidente da Fetransul, Francisco Cardoso, ressaltou que os dados são essenciais para orientar decisões e reduzir custos: “Os dados são fundamentais para reduzir acidentes e os elevados custos operacionais. No RS, 85% da carga é transportada pelo modal rodoviário, então precisamos ser mais céleres, competitivos e garantir maior segurança.”

Cardoso lembrou que, na edição anterior, 90% da malha estadual foi classificada como regular, ruim ou péssima, e apenas 10% como boa ou ótima.

A visão nacional

O presidente da CNT, Vander Costa, reforçou que o levantamento é o único estudo técnico e independente sobre a malha rodoviária brasileira, realizado há três décadas e cobrindo cerca de 80% das estradas do país: “Não tem partido, não tem política. É um estudo sério. Tomara que nossos gestores públicos utilizem esse serviço para direcionar investimentos. As estradas são patrimônio de toda a população. Se elas não são boas, todos nós pagamos no produto que chega à prateleira.”

Costa também destacou o impacto humano das más condições viárias: “Perdemos em média 17 vidas por dia nas rodovias brasileiras. Em dez dias, é como se caísse um avião. Estradas boas significam menos acidentes, mais segurança e competitividade.”

Trajeto e duração

O trabalho de campo terá cerca de 40 dias de coleta de dados e outros 40 dias de análise. No RS, o trajeto começa pela região metropolitana de Porto Alegre, segue pela Serra e alcança o centro do estado.

Concessões e investimentos

Cardoso também comentou sobre o debate das concessões: “Apesar de pagarmos muitos impostos, os recursos federais e estaduais têm sido reduzidos. A alternativa que entendemos são as concessões. Fizemos uma pesquisa com usuários dos blocos de concessão 1 e 2 e, desde que as tarifas sejam compatíveis com a realidade econômica, os investimentos privados são vistos como positivos para garantir segurança e rapidez nos trajetos.”

Impacto econômico

O custo operacional do transporte rodoviário aumentou em média 37% no último ano devido às más condições das estradas. Melhorias em pavimentação, sinalização e geometria podem reduzir custos e tornar o transporte mais competitivo, beneficiando toda a economia gaúcha.

Corredores estratégicos como a BR-116 e a BR-290 concentram grande parte do fluxo de cargas e figuram entre as rotas mais críticas do país. A expectativa é que o levantamento ajude a priorizar investimentos nessas vias, fundamentais para o escoamento da produção agrícola e industrial. (Gisele Flores)

 

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