Sábado, 21 de Março de 2026

Home Política Pesquisa negativa mostra que Gilmar Mendes tem razão ao chorar em plenário

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Os olhos do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, encheram-se de lágrimas, na última quinta-feira (19), ao se referir ao seu colega Alexandre de Moraes, “em virtude de sua irretocável, proba e sacrificante atuação”. Gilmar tem razão em se lamentar, não exatamente por seu enrolado companheiro da bancada no Supremo, mas com a instituição na totalidade, vista com desconfiança pela maioria da sociedade, de acordo com a pesquisa AtlasIntel/Estadão.

É preciso fazer uma ponderação. Ser popular não é objetivo, papel ou tarefa do Judiciário. Em tese, cabe a esse Poder cumprir a lei e pronto. Mas aí que está o grande problema atual. A queda da aprovação do Supremo e dos seus ministros tem a ver com a impressão popular de que não estão garantindo a Constituição, mas cuidando de interesses próprios. Pior, teriam relações para lá de perigosas com gente do mundo do crime.

Hoje, 60% dos brasileiros não confiam no STF. Em agosto do ano passado, eram 51%, segundo a pesquisa. O que isso significa? Que mesmo durante o auge do processo de condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, a sociedade estava dividida entre os que apoiavam ou não a corte. Com o inacreditável caso Master, o endosso ao Supremo desaba. 77% dos brasileiros acham que há “muita influência externa” no julgamento do Banco Master no STF. 66% acreditam que os ministros estão envolvidos diretamente no caso.

Hoje, o brasileiro não acha que o Supremo defenda a democracia, não acha que respeita a Constituição, não acha que respeita o Poder Legislativo, não acha que defende os direitos individuais. Quando se pergunta nome por nome, o relator do caso Master, André Mendonça, é o mais popular do Brasil. Cabe perguntar se há um risco de ele se tornar um novo Sérgio Moro. Outro que encontrou uma veia popular foi o ministro Flávio Dino, que, ao determinar o fim dos penduricalhos, encontrou o apoio de 72% da população.

Para não dizer que o STF está de mal a pior, existem as instituições avaliadas de maneira ainda pior pela sociedade. Os governos estaduais, o Exército e as Forças Armadas e o Congresso. Por outro lado, para mostrar que o brasileiro não está para brincadeira e apresenta viés punitivista, a Polícia Federal, a Polícia Civil e a Polícia Militar são as instituições mais admiradas. Ou seja, o povo adora polícia, quem não gosta é intelectual (e, eventualmente, jornalistas).

Alexandre de Moraes ainda conserva algo de sua força com 37% de apoio. Não será nenhuma surpresa que o abono a Moraes coincida com o eleitorado de Lula. Afinal, Moraes é ainda o algoz de Bolsonaro – tornou-se uma espécie de ídolo da esquerda. Mas Dias Toffoli está completamente na chuva, com avaliação positiva de apenas 9% da população. O penúltimo em popularidade, aliás, foi o opinioso Gilmar Mendes, com 20% de endosso. A depender da continuidade do caso Master, mais lágrimas vão rolar. (Opinião por Fabiano Lana/O Estado de S. Paulo)

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