Terça-feira, 13 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 13 de janeiro de 2026
Diante do elevado número de denúncias de possíveis irregularidades na renegociação de dívidas do crédito rural por instituições financeiras que operam com recursos públicos, o deputado federal Paulo Pimenta (PT) protocolou duas Propostas de Fiscalização e Controle (PFCs) na Câmara dos Deputados para apurar estes casos.
As propostas foram apresentadas nas Comissões de Fiscalização Financeira e Controle e de Finanças e Tributação e pedem a atuação conjunta do Tribunal de Contas da União (TCU) para verificar se bancos públicos, privados e cooperativas estão cumprindo as regras do Manual de Crédito Rural, editado pelo Banco Central. Na prática, o que está em jogo é a forma como dívidas de produtores rurais vêm sendo renegociadas após quebras de safra causadas por eventos climáticos, como secas, enchentes e geadas.
Segundo denúncias recebidas por Pimenta, produtores que têm direito legal ao alongamento da dívida estariam sendo obrigados a contratar novos empréstimos, com juros mais altos e condições mais pesadas, em vez de terem seus contratos prorrogados nos termos originais.
“Trata-se de cumprir a lei e proteger quem produz”, afirma Pimenta. “Quando há quebra de safra, o produtor rural tem direito à renegociação nas condições previstas. O que estamos pedindo é transparência, respeito às regras e uso correto do dinheiro público”, afirma o deputado.
As PFCs também buscam esclarecer se recursos federais usados para equalizar juros estão sendo aplicados corretamente ou se há desvio de finalidade, com prejuízo tanto para o produtor quanto para os cofres públicos. Entre as práticas que serão apuradas estão operações conhecidas como “mata-mata”, que descaracterizam o crédito rural e podem elevar drasticamente o custo da dívida.
Pimenta destaca que o problema não atinge apenas uma região ou um tipo de produtor. “Isso afeta pequenos, médios e grandes agricultores, em vários estados, inclusive o Rio Grande do Sul, que vem sofrendo repetidas perdas climáticas nos últimos anos”, ressalta.
Ao levar o tema às duas comissões, Pimenta busca ampliar o alcance da fiscalização e garantir que o Congresso exerça seu papel constitucional de controle sobre a aplicação dos recursos públicos. “Quem produz precisa de regra clara, previsibilidade e justiça. E quem usa dinheiro público precisa prestar contas”, conclui.