Sábado, 24 de Fevereiro de 2024

Home em foco Planos para janeiro: clima e Venezuela estão no centro da agenda do governo Biden com Lula

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A mudança de governo no Brasil é estimulante para os Estados Unidos de Joe Biden. Esse foi o termo usado por Michael Cohen, diretor do Observatório da América Latina da New School, universidade de Nova York, no seminário “Um mundo em crise, visto pela América Latina”, organizado na semana passada por universidades latino-americanas e apoiado, entre outros, pela Fundação Ford.

As expectativas sobre a volta de Luiz Inácio Lula da Silva ao poder são grandes entre acadêmicos, congressistas democratas e membros do governo Biden. Mas existem, também, dúvidas sobre como um terceiro governo Lula se adaptará a um contexto global complexo e a uma região desintegrada e com desafios enormes, começando pela necessidade de encontrar uma solução para a situação da Venezuela.

Quando se fala sobre Lula, dois temas surgem imediatamente: seu papel no debate sobre mudanças climáticas e como elemento de equilíbrio e moderação entre as novas esquerdas latino-americanas.

Entre acadêmicos que conversam com autoridades americanas e congressistas democratas, há a percepção de que Lula é considerado um aliado mais confiável do que o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que tem causado preocupação, por exemplo, por seus discursos sobre o fracasso da política de drogas dos EUA. Nessa linha, o brasileiro é visto como um melhor parceiro para atuar, entre outras frentes, na nova tentativa de diálogo entre o governo de Nicolás Maduro e a oposição.

O papel do Brasil na questão climática é central para os EUA e, nesse aspecto, espera-se muito de Lula.

“As expectativas são altas, mas as condições são diferentes. Essas expectativas poderiam ser um complicador, dependerá muito do Ministério de Lula”, comentou Cohen.

Para Peter Hoffman, professor e diretor de programas de graduação em Relações Internacionais da New School, “o que se espera de Lula é uma volta à normalidade, e, se ele conseguir melhoras em matéria de mudanças climáticas, será um herói mundial, não apenas brasileiro”.

O encontro na COP27 entre Lula e o enviado de Biden para o clima, John Kerry, foi o primeiro de uma relação na qual os EUA apostam enormemente. Depois do pragmatismo adotado com Jair Bolsonaro para evitar uma crise provocada por um governo que demorou para reconhecer a vitória de Biden, com Lula, Washington respirou aliviada, afirma Michael Shifter, ex-diretor do Diálogo Interamericano.

“Como Bolsonaro foi um pária, não será tão difícil superar isso. Mas os EUA esperam uma posição radicalmente diferente em matéria de mudanças climáticas”, diz Shifter.

Essa guinada tem por trás interesses bem claros, acrescenta Gimena Sánchez-Garzoli, diretora para os Andes da organização não governamental Escritório em Washington para a América Latina (WOLA, na sigla em inglês): “Os EUA querem, junto ao Brasil de Lula, ser os grandes líderes globais do meio ambiente. Querem ser parceiros numa relação verde e numa economia verde.”

Convivem com essas expectativas temores dos republicanos de uma aproximação entre Lula e governos não democráticos, principalmente de Venezuela, Nicarágua e Cuba, comenta Sánchez-Garzoli.

“Os esforços para isolar esses três países foram enormes, e muitos republicanos, sobretudo os mais radicais, estão preocupados com a possibilidade de que Lula dê legitimidade a governos como o de Maduro”, explica ela.

O governo de Biden, pelo contrário, pretende que o terceiro governo de Lula tenha uma participação importante na tentativa dos venezuelanos de retomada do diálogo no México, mediado pela Noruega. Uma primeira conversa aconteceu em Paris, há cerca de 10 dias, e existiu a possibilidade de que um representante do governo eleito participasse, mas a ideia não prosperou.

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