Segunda-feira, 22 de Abril de 2024

Home Rio Grande do Sul Pnad Contínua: População ocupada cresce 3,6% no Rio Grande do Sul, mas rendimento do trabalho cai 6,4%

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Entre 2020 e 2021, a população ocupada cresceu 3,6% no Rio Grande do Sul, passando de 5,2 para 5,3 milhões de pessoas, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Rendimento de todas as fontes 2021. O avanço registrado na Pnad Contínua, porém, não foi suficiente para recuperar as perdas ocorridas no início da pandemia, uma vez que em 2019 a população ocupada totalizava 5,6 milhões de pessoas.

O aumento de 184 mil pessoas na ocupação contribuiu para reduzir em 6,4% o rendimento médio do trabalho, estimado em R$ 2.717 em 2021, após ter atingido R$ 2.904 em 2020. A queda no rendimento médio mensal real, habitualmente recebido de todos os trabalhos (calculado para as pessoas de 14 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de referência), se explica pela entrada no mercado de trabalho de pessoas com menor remuneração.

Massa de rendimento do trabalho tem queda de 3,1%

O rendimento habitualmente recebido de todos os trabalhos resultou em uma massa mensal de rendimento de aproximadamente R$ 14,5 bilhões em 2021, 3,1% menor que a estimada para 2020. Entre os fatores que ajudam a explicar a queda, está a redução do rendimento médio de todos os trabalhos, que preponderou sobre o aumento da população ocupada no período. Das 27 unidades da federação, 16 acompanharam o movimento de retração, sendo a maior a da Bahia (-18,7%).

O índice de Gini do rendimento médio mensal real habitualmente recebido de todos os trabalhos foi de 0,445 em 2021, o menor valor da série histórica. Com a pandemia de Covid-19 e a redução brusca de ocupação, sobretudo entre os trabalhadores precariamente inseridos no mercado de trabalho, a desigualdade do rendimento do trabalho diminuiu, fazendo o índice de Gini cair a 0,462 em 2020 e a 0,445 em 2021. Além do Rio Grande do Sul, outras dez unidades da federação apresentaram índices menores que em 2020, tendo a Bahia tido a redução mais intensa (queda de 0,057).

Rendimento de outras fontes aumenta, puxado por aluguel e arrendamento

De 2020 para 2021, o rendimento de outras fontes teve aumento de 3,3%, passando de R$1.714 para R$ 1.770. Em 2020, a queda havia sido de 13,1%, a maior da série histórica iniciada em 2012. No Rio Grande do Sul se observou o terceiro maior rendimento desta categoria, enquanto no Distrito Federal estava o maior valor (R$ 2.843) e no Maranhão o menor (R$ 749).

Entre todas as categorias que compõem o rendimento proveniente de outras fontes, o item aluguel e arrendamento teve a maior média em 2021 (R$ 2.156), após aumento recorde de 36,8% em relação ao ano anterior. Todas as demais categorias tiveram retração entre 2020 e 2021.

Já as pessoas que declararam possuir outros rendimentos receberam R$ 539, em média. Esse valor, se comparado ao estimado para 2020 (R$ 833), apresentou a maior redução da série histórica (queda de 35,3%), o que pode ter relação com as mudanças ocorridas no beneficio do auxílio emergencial no segundo ano da pandemia de Covid-19. Apenas o Distrito Federal não sofreu redução do valor médio de outros rendimentos entre 2020 e 2021.

Os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão tiveram valor médio de R$ 2.122, queda de 1,6% quando comparado ao estimado para 2020 (R$ 2.156). De toda a série histórica iniciada em 2012, apenas nos anos de 2017 e 2021 a aposentadoria e pensão não representaram o maior valor de rendimento de outras fontes.

Pensão alimentícia, doação e mesada de não morador totalizaram, em média, R$ 889, valor 1,5% abaixo do estimado no ano anterior (R$ 913).

Número de pessoas com outros rendimentos diminui de 1,3 milhão a 838 mil em um ano

Das 11,4 milhões de pessoas residentes no Rio Grande do Sul em 2021, 7,7 milhões (66,9%) tinham algum tipo de rendimento. 46,7% (5,3 milhões) tinha rendimento do trabalho e 28,1% (3,2 milhões) tinha rendimento proveniente de outras fontes. Frente a 2020, houve aumento da parcela com rendimento de trabalho, que era de 45,3% (5,2 milhões) no ano anterior, e redução do grupo com rendimento de outras fontes, que correspondia a 31,6% (3,6 milhões). Regionalmente, os três estados da Região Sul tiveram os maiores percentuais de pessoas com rendimento habitualmente recebido de todos os trabalhos: Santa Catarina com 49,2%, Rio Grande do Sul com 46,7% e Paraná com 46,3%.

Entre os componentes dos rendimentos de outras fontes, a categoria aposentadoria e pensão manteve a principal estimativa: 19,3% (2,2 milhões de pessoas) da população residente recebia este rendimento em 2021; na sequência, outros rendimentos, com 7,3% (838 mil pessoas). Com percentuais bem menores, seguiam as categorias de pensão alimentícia, doação e mesada de não morador (1,8% ou 201 mil pessoas) e aluguel e arrendamento (1,6% ou 178 mil pessoas). Em função do perfil etário da sua população, o Rio Grande do Sul detém a maior proporção de pessoas que recebem rendimentos de aposentadoria e pensão.

A redução mais intensa entre 2020 e 2021 foi a do número de pessoas com outros rendimentos (seguro-desemprego/seguro-defeso, programas sociais do governo – inclusive o auxílio emergencial –, rendimentos de poupança etc.): após ter quase dobrado de 2019 (692 mil pessoas) para 2020 (1,3 milhão), o primeiro ano da pandemia, esse contingente caiu 36,3% em 2021 (838 mil).

Proporção de domicílios que recebem outros programas sociais reduz pela metade

O recebimento de outros programas sociais, rubrica que inclui o auxílio emergencial, estava presente em 8,7% dos domicílios gaúchos em 2021, após totalizar 16,5% dos domicílios em 2020. Essa redução pode ser explicada por mudanças na concessão do auxílio realizadas com a flexibilização das medidas sanitárias.

Como parte dos beneficiários do Programa Bolsa Família passou a receber o auxílio emergencial, entre 2019 e 2020 houve redução da proporção de domicílios que recebiam tal benefício (de 5,4% para 3,2%). Contudo, a diminuição do recebimento de outros programas sociais, em 2021, não foi acompanhada pelo aumento da proporção de domicílios com algum beneficiário do Bolsa Família (3,3%). Por sua vez, a proporção de domicílios que recebiam BPC-LOAS se manteve em 1,8% no período. A redução da proporção de domicílios que apresentavam algum beneficiário de outros programas sociais, entre 2020 e 2021, ocorreu em todas as unidades da federação.

Rendimento médio mensal real domiciliar per capita cai 4,8%

O rendimento domiciliar per capita registrou a menor estimativa da série histórica em 2021, R$ 1.767, o que representa uma queda de 4,8% em relação a 2020, quando já tinha tido redução de 5,0% em relação ao ano anterior. Mesmo assim, o estado se mantém com o terceiro maior rendimento médio mensal real domiciliar per capita, atrás do Distrito Federal (R$ 2.480) e de São Paulo (R$ 1.816). Todas as unidades da federação, exceto Roraima, tiveram redução no rendimento entre 2020 e 2021.

Se comparado a 2012, o rendimento domiciliar per capita médio sofreu redução em 18 das 27 unidades da federação, com maior intensidade no Amazonas (-22,0%) e em Roraima (-20,0%). No Rio Grande do Sul a perda nesse período foi de 1,2%.

O rendimento médio mensal real domiciliar per capita foi diferenciado quando comparados os domicílios que recebiam ou não algum programa de transferência de renda, especialmente quando o benefício era do Programa Bolsa Família. O rendimento médio mensal real domiciliar per capita nos domicílios que recebiam o Bolsa Família foi de R$ 514 em 2021, e naqueles que não recebiam foi de R$ 1.829. Para os domicílios que recebiam o BPC-LOAS o rendimento médio domiciliar per capita foi de R$ 926 e para os que não recebiam, R$ 1.784. Por sua vez, nos domicílios que recebiam outros programas sociais o rendimento médio foi de R$ 899, frente a R$ 1.863 naqueles que não recebiam.

Entre 2020 e 2021, houve redução do rendimento médio em todos os domicílios, mas com maior intensidade naqueles que tinham alguém recebendo outros programas sociais. Enquanto o rendimento domiciliar per capita dos domicílios beneficiários do Bolsa Família se desvalorizou em 1,9%, entre os domicílios não beneficiários a perda foi de 5,0%. Domicílios com alguém recebendo outro programa social tiveram redução de 11,1% no rendimento médio, sobretudo pela redução do valor do auxílio emergencial, enquanto aqueles sem beneficiários tiveram perda de 9,8%. A redução do rendimento médio dos domicílios por recebimento do BPC-LOAS foi de 1,6% nos domicílios com beneficiários e de 4,9% naqueles sem beneficiários.

Rendimento dos 50% mais pobres cai 5,4% em relação a 2020

Ao observar a estratificação em classes de percentual das pessoas em ordem crescente de rendimento domiciliar per capita em 2021, constatou-se que aproximadamente metade da população com menores rendimentos recebeu, em média, R$ 699. Se comparado a 2020 (R$ 739), esse rendimento foi 5,4% menor. Atrás apenas de Santa Catarina (R$ 759), o Rio Grande do Sul teve em 2021 a segunda maior média de rendimento domiciliar per capita para a metade da população com menores rendimentos. O estado também teve a menor perda em relação a 2020, que chegou à intensidade de 27,8% no Sergipe.

Na comparação entre 2020 e 2021, houve redução do rendimento domiciliar per capita médio em 10 das 11 classes de rendimento, com maior intensidade na primeira e na última classe da distribuição, onde as perdas ficaram acima dos 10,0%. Apenas na classe de 80% a 90% houve aumento no rendimento (2,7%).

Na comparação entre 2021 e 2012, ano inicial desta série histórica, houve diminuição do rendimento domiciliar per capita médio na primeira e na última classe de rendimento. A classe até 5%, cujo rendimento médio foi de R$ 139 em 2021, apresentou redução de 20,1% na comparação com a estimativa de 2012 (R$ 174), enquanto a classe mais de 90% (R$ 6.392) diminuiu 10,1% no período.

A análise da concentração de renda por meio da distribuição das pessoas por classes de rendimento domiciliar per capita mostrou, em 2021, que as pessoas que estavam no último percentil de rendimento, ou seja, aquelas que faziam parte do 1% da população com rendimentos mais elevados (cujo rendimento médio mensal real era R$ 16.104) recebiam, em media, 23,0 vezes o rendimento da metade da população com os menores rendimentos (cujo rendimento médio mensal real era R$ 699).

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