Domingo, 28 de Novembro de 2021

Home em foco Polícia Civil gaúcha indicia doutorando da UFRGS investigado por manifestações racistas

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Ao finalizar o inquérito sobre as manifestações preconceituosas de um doutorando de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) contra um acadêmico de Políticas Públicas na mesma instituição, a Polícia Civil gaúcha indiciou o investigado por racismo qualificado. A sentença para esse tipo de crime vai de dois a cinco anos. O Ministério Público (MP) ainda não se manifestou.

Álvaro Hauschild, 29 anos, enviou mensagens à namorada de Sérgio Renato Silva Júnior, 24 anos, questionando o namoro do casal – ela branca, ele negro – com base em conceitos ultrapassados de superioridade racial, dentre outros comentários.

O autor dos textos teria ferido artigo da lei federal nº 7.716, de 1989, que proíbe a prática, indução e incitação à  preconceito ou discriminação de raça, cor, etnia, nacionalidade ou religião”.

A Delegacia especializada no combate à intolerância apontou dois agravantes: o uso de meio público (internet) para as ofensas e o fato de as manifestações terem sido atingido não só um homem negro ou um casal, mas toda uma coletividade.

No caso de Hauschild, ainda foi acrescida a qualificadora do parágrafo segundo, que aumenta a pena de reclusão para dois a cinco anos se “qualquer dos crimes previstos (…) é cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza”.

O indiciado admite ter escrito os textos, mas nega que tenha agido de forma racista. Em entrevista ao jornal “O Globo”, ele argumentou que “tudo pode ser distorcido e jogado no ventilador para causar impacto e prejudicar uma pessoa”.

Além da esfera policial, o Centro Acadêmico do curso onde estuda o universitário negro, em Porto Alegre, recolhe rubricas para um abaixo-assinado para que o doutorando seja expulso da UFRGS. A medida conta com o apoio de diversas outras unidades da instituição.

Além disso, a editora paranaense Kotter retirou de seu catálogo e mandou recolher das lojas um livro de contos escrito por ele.

Entenda

O incidente aconteceu quando Hauschild postou no Instagram um comentário preconceituoso na foto de Sérgio Renato da Silva Júnior com sua namorada Amanda Klimick, 23 anos. Indignados, Sérgio e Amanda resolveram “dar trela” ao doutorando, estimulando-o a falar mais sobre o assunto por meio de conversa privada na rede social.

Foi quando Álvaro escreveu uma série de observações que podem ser definidas como, no mínimo, repugnantes. Isso incluiu a defesa da chamada “supremacia branca”e até observações como a de que pessoas negras “cheiram mal”. Uma das mensagens que mais revoltaram o casal não deixa dúvidas a respeito do discurso de ódio:

“Mulher, te olha no espelho! Tu é bonita, parece que de família… Tu merece algo à tua altura. Já pensou como serão teus filhos? Tu tem ombros fortes, com certeza é descendente de vikings. Quando as pessoas dizem que vocês [ela e o namorado] são ‘iguais’, no fundo sabem que não. Estão só tentando esconder a vergonha que tu passa com esse energúmeno”.

Uma das postagens, o doutorando em Filosofia evidencia teses estapafúrdias a respeito do extermínio de judeus e outras minorias pelo regime nazista que comandou a Alemanha de 1933 a 1945: “O Holocausto é um ‘holoconto’ imposto goela-abaixo aos povos, com um discurso intensamente sentimental e midiático para evitar que se coloque em questão a verdade científica a respeito”.

Segundo acadêmicos da UFRGS, o conteúdo de diversas de suas postagens não deixa dúvidas quando à promoção de ideias identificadas com a extrema-direita. O doutorando é tradutor, por exemplo, do filósofo ultranacionalista russo Aleksandr Dugin, parceiro do brasileiro Olavo de Carvalho no livro “Os Estados Unidos e a Nova Ordem Mundial”.

(Marcello Campos)

 

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