Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2026

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A Polícia Federal (PF) concentra esforços na análise do material apreendido na investigação sobre o Banco Master, considerado por investigadores um dos maiores escândalos financeiros recentes do país. A expectativa recai especialmente sobre os celulares do empresário Daniel Vorcaro, controlador da instituição, mas também sobre imagens captadas por câmeras de segurança instaladas em imóveis ligados a ele.

Na segunda-feira (9), foi divulgado que peritos conseguiram acessar o principal celular de Vorcaro após superar a criptografia do aparelho. Em depoimento prestado em 30 de dezembro, o empresário se recusou a fornecer a senha, o que dificultou inicialmente o acesso aos dados. A PF, no entanto, passou a utilizar softwares capazes de quebrar camadas adicionais de proteção em modelos mais recentes de telefone, o que também pode permitir a recuperação de arquivos apagados.

Além dos dados armazenados nos dispositivos, investigadores já acessaram registros de sistemas de vigilância de imóveis vinculados ao empresário, segundo fontes com conhecimento da apuração. O foco é identificar a entrada e saída de visitantes. Embora o simples contato não configure crime, os registros podem contribuir para a formação de um conjunto probatório mais amplo, caso indiquem vínculos relevantes para a investigação.

Imóveis e articulações

Vorcaro, que cumpre prisão domiciliar em São Paulo, adquiriu imóveis residenciais e comerciais em diferentes cidades do Brasil e no exterior. Entre eles está uma mansão avaliada em R$ 36 milhões, localizada em condomínio no Lago Sul, área nobre de Brasília. Segundo escritura, o imóvel possui cerca de 1.700 metros quadrados.

Reportagem do portal Metrópoles informou que autoridades teriam sido recebidas no local, incluindo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o que foi negado pelo magistrado. O portal também relatou um encontro entre Moraes e o então presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, na residência. O contrato de R$ 129 milhões entre o Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, foi citado na reportagem. As informações foram negadas ou não comentadas pelos citados à época.

Em depoimento à PF, Vorcaro afirmou que a aquisição da casa em Brasília tinha como objetivo “aprofundar contatos”. Inicialmente, ele havia declarado ser apenas inquilino do imóvel. A residência também teria sido visitada por parlamentares, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB).

Segundo a investigação que resultou na Operação Compliance, deflagrada em novembro de 2025, a compra da mansão teria sido viabilizada com recursos provenientes de empréstimos irregulares. O imóvel foi adquirido pela empresa Super Empreendimentos e Participações, que, de acordo com Vorcaro, tinha como sócio seu cunhado, Fabiano Zettel.

A Super também comprou um duplex nos Jardins, em São Paulo, por R$ 30 milhões. A empresa integra a lista de 35 companhias sob suspeita de obter empréstimos fraudulentos para alimentar um esquema de fundos que, segundo a PF, desviava recursos do próprio banco.

Fabiano Zettel deixou o quadro societário da empresa em julho de 2024. Ele foi alvo da segunda fase da Operação Compliance, deflagrada em janeiro, chegou a ser detido ao tentar embarcar para Dubai e foi liberado horas depois. Seu celular e passaporte foram apreendidos.

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