Sábado, 07 de Fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 6 de fevereiro de 2026
A Polícia Federal (PF) cumpriu, nessa sexta-feira (5), quatro mandados de busca e apreensão em Macapá (AP) no âmbito de uma investigação que apura a aplicação de aproximadamente R$ 400 milhões do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá (RPPS/AP) no Banco Master. A instituição financeira teve sua liquidação decretada pelo Banco Central no ano passado, o que levantou questionamentos sobre a segurança e a regularidade dos investimentos realizados.
A ação faz parte da Operação Zona Cinzenta, que tem como objetivo verificar se houve irregularidades praticadas por gestores da Amapá Previdência (Amprev), autarquia responsável pela administração do sistema previdenciário estadual. Os mandados foram expedidos pela 4ª Vara da Justiça Federal e executados em endereços ligados aos investigados na capital amapaense.
De acordo com a PF, a investigação busca esclarecer as circunstâncias que levaram à aprovação e à execução dos investimentos considerados de alto risco. Os investigadores analisam se as decisões adotadas pelos gestores observaram os princípios legais e técnicos exigidos para a administração de recursos previdenciários. Há suspeitas da prática de crimes de gestão temerária e de gestão fraudulenta, embora, até o momento, não haja conclusão definitiva sobre as responsabilidades.
Segundo informações disponíveis na página institucional da Amprev, o sistema previdenciário estadual conta atualmente com cerca de 30 mil segurados ativos e aproximadamente 2.100 beneficiários civis e militares, entre aposentados e pensionistas. O volume de recursos administrados pela autarquia torna o caso sensível, dada a relevância social dos valores envolvidos.
Em nota oficial, a Amprev afirmou que os recursos dos segurados estão protegidos e destacou que obteve decisão favorável na Justiça em ação movida contra o Banco Master. O comunicado foi assinado pelo presidente da autarquia, Jocildo Lemos, que ressaltou medidas adotadas para resguardar o patrimônio previdenciário.
Segundo a nota, a 2ª Vara de Fazenda Pública de Macapá autorizou que o Estado do Amapá e a Amprev retenham os valores referentes a empréstimos consignados que, originalmente, seriam repassados ao Banco Master. “Esses recursos ficarão provisionados em conta específica no Banco do Brasil, sob fiscalização do Judiciário, até o julgamento final do processo”, informou a autarquia.
A Amprev acrescentou que a decisão judicial também proibiu o Banco Master de adotar qualquer medida de cobrança contra servidores públicos, aposentados e pensionistas que possuem contratos de empréstimos consignados vinculados à instituição financeira. “Os valores retidos não serão utilizados, permanecendo depositados em instituição financeira idônea, com prestação de contas ao Judiciário a cada 90 dias”, afirmou o presidente da empresa.
As investigações seguem em andamento, e a Polícia Federal informou que novas diligências poderão ser realizadas conforme o avanço da apuração dos fatos. (Com informações da Agência Brasil)