Segunda-feira, 13 de Abril de 2026

Home em foco Polícia Federal intima amiga de Lulinha para depor, mas ela se recusa a depor

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A Polícia Federal (PF) intimou a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para prestar depoimento no inquérito sobre desvios de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Sua defesa respondeu à PF que ela já havia prestado informações por escrito e que estaria “à disposição para qualquer esclarecimento suplementar” após ter acesso completo aos autos.

Roberta foi alvo de busca e apreensão em uma das fases da Operação Sem Desconto, deflagrada em dezembro, depois que a PF detectou que ela recebeu pagamentos de R$ 1,5 milhão do empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, suspeito de liderar o esquema de desvios.

A PF apontou indícios de que Roberta seria a intermediária entre o Careca do INSS e Lulinha, filho mais velho do presidente Lula. Até então, porém, ela não havia sido chamada a prestar depoimento. A PF fez uma rodada de intimação de mais de 30 alvos da investigação para colher seus depoimentos, e Roberta foi uma das pessoas intimadas.

Os investigadores entraram em contato com a defesa de Roberta e lhe perguntaram se ela teria interesse em prestar depoimento por videoconferência.

“A PF nos indagou se teríamos interesse em prestar depoimento. Nós respondemos que já prestamos esclarecimentos escritos e que estávamos à disposição para qualquer esclarecimento suplementar após termos acesso completo aos autos”, afirmou o advogado Bruno Salles, responsável pela defesa de empresária. A defesa reiterou que ela nunca se recusou a prestar depoimentos e se colocou “à disposição” dos investigadores.

Sua defesa já afirmou anteriormente ao Supremo Tribunal Federal (STF) e em nota à imprensa que ela foi contratada pelo Careca do INSS para atuar na regulação do setor de empresas de canabidiol e que os negócios “se mantiveram apenas em tratativas iniciais e não chegaram a prosperar”.

“Nenhum contrato público foi jamais celebrado e nem mesmo negociado”, disse em nota. A defesa afirmou ainda que a empresária “possui relação pessoal com Fábio Luís e sua família há vários anos e não é a primeira vez que surgem ataques a Roberta ou a Fábio, fruto de sua amizade”.

Uma das suspeitas da PF, porém, é que os pagamentos feitos pelo Careca a Roberta tinham como origem os valores desviados do INSS e se inseriam em uma camada de lavagem do dinheiro ilícito.

Como mostrou reportagem do Estadão, a PF apontou suspeitas de que Roberta fez pagamentos a uma agência de viagens usada por Lulinha e que esses recursos poderiam ter origem nos descontos ilegais de aposentadorias e pensões do INSS.

A defesa apresentou novos esclarecimentos ao Supremo e disse que os valores pagos pelo Careca do INSS foram posteriores ao pagamento da agência de viagens.

“Filho do rapaz”

Em uma mensagem apreendida pela PF em uma das fases da operação Sem Desconto, o Careca do INSS pede a um operador que faça o pagamento de uma parcela de R$ 300 mil a uma empresa em nome de Roberta Luchsinger, a RL Consultoria e Intermediações.

O operador pergunta quem seria o destinatário do dinheiro. Antunes responde que seria “o filho do rapaz” e, em seguida, recebe o comprovante do pagamento para a empresa de Luchsinger. A PF tenta identificar se o Careca do INSS se referia a Fábio Luís.

Atualmente, a Polícia Federal analisa movimentações financeiras sobre desvios no INSS para descobrir se Lulinha foi beneficiário final de recursos sob suspeita. Os investigadores, porém, querem evitar uma quebra de sigilo mais ampla, que poderia ser interpretada como uma devassa sobre o filho do presidente da República.

Luchsinger é herdeira de um ex-acionista do antigo banco Credit Suisse. Em 2017, anunciou que faria uma doação milionária a Lula, então investigado pela Operação Lava Jato. Ela se candidatou a deputada estadual em São Paulo pelo PT em 2018, mas não se elegeu. (Com informações da Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo)

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