Quarta-feira, 07 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 6 de janeiro de 2026
A Polícia Federal (PF) agendou uma série de novos depoimentos no caso do Banco Master para o fim deste mês e início de fevereiro. Todos os citados na investigação sobre supostos crimes contra o sistema financeiro nacional devem ser ouvidos pela corporação, segundo a defesa deles.
Entre os que prestarão esclarecimentos à PF estão ex-sócios de Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master, como Augusto Ferreira Lima, Luiz Antonio Bull, Alberto Feliz de Oliveira e Angelo Antonio Ribeiro da Silva; e ex-diretores do BRB, como Paulo Henrique Costa, Dario Oswaldo Garcia Junior e o atual superintendente de Operações Financeiras da instituição, Robério Mangueira.
A Polícia Federal apura os crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa na confecção de carteiras de crédito “insubsistentes” do Master ao BRB por um valor de R$ 12 bilhões. Os investigados devem ser questionados sobre as provas levantadas pela PF no âmbito da Operação Compliance Zero, que foi deflagrada em novembro de 2025 e cumpriu 25 mandados de busca e apreensão.
A PF já ouviu Vorcaro, Paulo Henrique Costa e o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino. A oitiva ocorreu em 30 de dezembro por iniciativa do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, que relata o caso na Corte. Os depoimentos são mantidos sob sigilo de Justiça.
Durante o interrogatório, Vorcaro negou ter vendido carteiras de crédito falsas e criticou a atuação do Banco Central de decretar a liquidação do banco Master. Segundo ele, a instituição era “solvente” e a decisão do BC o surpreendeu.
Já o ex-presidente do BRB afirmou que não conseguiu recuperar R$ 2,5 bilhões investidos na compra de carteiras de crédito do Master.
O BRB comprou um total de R$ 12,7 bilhões em carteiras de crédito do Master que foram consideradas inconsistentes pelo BC. O banco de Vorcaro, então, passou a trocar esses ativos em um total de R$ 10,2 bilhões — ficaram faltando, portanto, R$ 2,5 bilhões.
Documentos reunidos pela PF identificaram inconsistências nas operações de venda dessas carteiras de crédito, que seriam falsas. Nesta terça-feira (6), o Banco Central apresentou ao Tribunal de Contas da União um recurso, questionando a decisão de determinar uma inspeção no BC para avaliar os fundamentos utilizados na liquidar do Master.
A controvérsia surgiu após o ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso no TCU, solicitar informações adicionais sobre os elementos que sustentaram a decisão do BC. No recurso, o BC sustenta que a determinação para a realização de inspeções deve ser tomada de forma colegiada, conforme previsto no regimento interno do tribunal, e não por decisão individual. Segundo a autoridade monetária, a análise e eventual autorização caberiam à Primeira Câmara do TCU. (Com informações do jornal O Globo)