Sábado, 02 de Maio de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 13 de fevereiro de 2022
O poder de barganha do Centrão na disputa presidencial vai aumentar com a última janela de mudanças partidárias antes das eleições de outubro. Às vésperas do período que permite a troca de legenda sem perda de mandato por infidelidade (de 3 de março a 1º de abril), líderes e presidentes das siglas avaliam como deve ficar a nova correlação de forças na Câmara e contabilizam perdas e ganhos.
Na prática, o Centrão atrai deputados federais que buscam abrigo em legendas que ampliaram sua máquina de garantir votos com cargos influentes no governo de Jair Bolsonaro e verbas milionárias do orçamento secreto. Os principais partidos desse bloco – Progressistas, PL e Republicanos – trabalham para aumentar a influência na Câmara.
Hoje na condição de terceira maior bancada, com 43 deputados, o PL, presidido por Valdemar Costa Neto, ocupará a primeira posição na Câmara, saltando para 65 parlamentares, e o União Brasil, uma fusão do DEM e do PSL, com 61, a segunda. No troca-troca, o PT cairá da segunda para a terceira posição, apesar de também crescer.
O partido passará dos atuais 53 parlamentares para 54 – o deputado licenciado Josias Gomes, atual secretário de Desenvolvimento Regional na Bahia, voltará ao plenário.
Já o Progressistas, legenda do presidente da Câmara, Arthur Lira (AL), deve aumentar de 42 para 52 parlamentares, e o PSD, comandado por Gilberto Kassab, espera crescer de 35 para 40. Ambas as siglas, que respectivamente são a quarta e a quinta maiores bancadas, devem seguir nas mesmas colocações.
Na estrutura do orçamento secreto, o presidente da Câmara e o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, presidente licenciado do Progressistas, são quem, na prática, organizam a divisão das indicações de verbas entre os governistas. Já o PL, além de ter filiado o próprio presidente Jair Bolsonaro, tem espaço privilegiado por comandar ministérios como a Secretaria de Governo, com Flávia Arruda, e Desenvolvimento Regional, com Rogério Marinho.
Apesar de não se declarar base de Bolsonaro, o União Brasil tem prestígio na escolha da destinação de recursos. O senador Marcio Bittar (PSL-AC) foi relator do Orçamento de 2021 e a destinação das verbas privilegiou o PSL, que fará parte do União. O deputado Elmar Nascimento (DEM-BA), outro nome que comporá a nova sigla, também tem influência e foi o responsável por indicar o presidente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). A estatal é um dos principais meios operados para aplicar o orçamento secreto.
Perdas
Entre os partidos que vão perder filiados estão o PSDB, que deve ser reduzido de 32 para 27 deputados; o PDT, de 25 para 22; o PROS, de dez para sete, e o PTB, que, ao que tudo indica, terá a bancada diminuída pela metade, de dez para cinco.
Outro efeito será uma maior clareza para os partidos que ainda estão indecisos sobre a eleição presidencial. Legendas grandes e que vão exercer um papel essencial na disputa pelo Palácio do Planalto vão ter mais segurança para negociar. É o caso do União Brasil – que hoje se divide entre estar com o ex-juiz Sérgio Moro (Podemos), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), o presidente Bolsonaro (PL) e não ter uma posição formal de apoio, liberando os diretórios – e do PSD, que avalia lançar um candidato próprio ou estar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Com a definição de quais parlamentares sairão e quais entrarão, os partidos vão conseguir debater de forma mais clara, em abril, o apoio ao candidato à Presidência, pois o tamanho de cada um dos grupos internos será definido após a janela. A partir do dia 2 de abril também começa outro período importante para eleição, que é o intervalo no qual os políticos que quiserem concorrer a qualquer cargo (que não a reeleição ao posto anterior) devem se desincompatibilizar e ainda não poderão mais trocar de legenda.
No PSD, o discurso atual é o de que haverá candidatura própria ao Palácio do Planalto. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), era visto como única opção, mas, diante do desânimo do senador em participar da disputa, Kassab disse que pensa em atrair o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), e o ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung para a legenda como alternativas nas eleições.
Apesar disso, Kassab admitiu pela primeira vez que as portas do PSD não estão 100% fechadas para Lula no primeiro turno e que “alguns companheiros” na sigla são aliados do PT. O ex-prefeito de São Paulo tem conversado com Lula sobre a sucessão presidencial. Petistas têm oferecido apoio ao PSD em Estados como Minas Gerais, onde o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, pretende concorrer ao governo, e Sergipe, onde o deputado Fábio Mitidieri tenta ser o candidato do partido de Kassab.
O PSD fez parte do grupo de partidos que se aproximou de Bolsonaro em 2020 e chegou a controlar estruturas como a do Ministério das Comunicações e da Fundação Nacional da Saúde (Funasa). No entanto, desde o ano passado, Kassab tem comandado um movimento de afastamento e feito diversas críticas ao governo. Hoje no PSD, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, vai para o Progressistas durante a janela.