Sexta-feira, 16 de Outubro de 2026

Home Variedades Por que, em todo o mundo, as pessoas não querem mais ter filhos

Compartilhe esta notícia:

Em todo o mundo, a parentalidade está em declínio. Na Europa, ter filho único está se tornando a norma: metade das famílias com filhos dependentes tem apenas um. No Reino Unido, esse percentual é de 45%, e apenas 14% das famílias têm três filhos ou mais. O mesmo fenômeno se repete em lugares inesperados.

Os Emirados Árabes Unidos e o Estado indiano de Tamil Nadu agora têm taxas de natalidade inferiores à da Alemanha. A taxa do México caiu abaixo da dos EUA, onde as famílias com um filho já superam aquelas com dois.

As taxas de natalidade em mais de dois terços dos países do mundo caíram abaixo da chamada “taxa de reposição”, de 2,1 filhos por mulher, necessária para manter uma população estável. Em breve, a população mundial começará a diminuir pela primeira vez desde a Peste Negra do século 14. Uma estimativa prevê que o “pico da população humana” poderá ocorrer já em 2064.

Há muitos fatores por trás da tendência. Os jovens têm menos probabilidade de estar em um relacionamento do que as gerações anteriores na mesma idade. É mais difícil para os casais jovens comprar o primeiro imóvel e alcançar estabilidade econômica suficiente para considerar um bebê. E alguns se perguntam se seria correto trazer uma criança ao mundo em cenário tão turbulento.

Há também outro fator em jogo: uma forma de contágio social. Em um mundo que parece tratar os pais com hostilidade e no qual as vantagens de criar filhos ficam obscurecidas, permanecer sem filhos se torna mais fácil quando todos tomam a mesma decisão.

Outro fator adicional – os efeitos das redes sociais de relacionamento – pode explicar as notáveis semelhanças entre a queda das taxas de natalidade em lugares e culturas muito diferentes. Também oferece uma maneira de reverter esse declínio, tornando novamente atraente a decisão de ter filhos.

A queda das taxas de natalidade costuma ser apresentada como uma simples questão de escolha. No entanto, em uma pesquisa realizada por Ester Lazzari e Eva Beaujouan em dez países com baixa fecundidade, até metade dos homens e das mulheres chega ao fim da vida reprodutiva desejando ter tido mais filhos.

Embora ultrapassar o pico da população humana alivie a pressão sobre os recursos naturais, projeta-se que a redução da população mundial seja rápida, dando lugar a enormes contingentes de idosos que vão sobrecarregar os sistemas de proteção social e as economias.

Na China, onde a política do filho único, introduzida em 1980, distorceu o planejamento familiar durante 35 anos, existe agora o “problema 4-2-1”: um filho único responsável pelo sustento de dois pais e quatro avós.

Há outros efeitos, mais sutis. À medida que as crianças se tornam menos visíveis, a tolerância ao comportamento barulhento e imprevisível delas diminui. No Japão, mapas colaborativos chamados Dorozoku mostram como evitar ruas onde “crianças brincam com bolas”. Em um elegante bairro de Paris, juízes determinaram no ano passado o fechamento do pátio de uma escola primária depois que vizinhos reclamaram do barulho.

“As famílias são a unidade mais básica da sociedade e a instituição mais indispensável da humanidade”, afirma Nicholas Eberstadt, demógrafo e titular da cátedra Henry Wendt no American Enterprise Institute. “Mas, à medida que as famílias e seus ramos se tornam menos numerosos, terão cada vez menos capacidade de suportar peso.” Os formuladores de políticas públicas, acrescenta ele, “não estão preparados para a era do despovoamento, que transformará sociedades, economias e a geopolítica”.

Os seres humanos imitam uns aos outros. Trata-se de um impulso primitivo que remonta à necessidade ancestral de nos protegermos em tribos. As normas sociais se desenvolveram como uma maneira de delegar parte de nossas decisões ao grupo. A cooperação coletiva tornou-se instintiva.

Mesmo no mundo moderno, a necessidade de se conformar às normas sociais é poderosa. Em experimento pioneiro realizado na década de 1950, que demonstrou a força do contágio social, o psicólogo Solomon Asch pediu aos participantes que executassem uma tarefa simples: comparar linhas desenhadas em um cartão, cuja resposta correta era evidente. (Com informações do Valor Econômico)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Variedades

Por que, em todo o mundo, as pessoas não querem mais ter filhos
Por que, em todo o mundo, as pessoas não querem mais ter filhos
Deixe seu comentário
Baixe o app da RÁDIO Pampa App Store Google Play
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa Pampa Na Madrugada