Sexta-feira, 09 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 8 de janeiro de 2026
Gerações mais velhas costumam criticar os gastos da Geração Z com experiências consideradas supérfluas, como ingressos para grandes shows — caso da turnê de Taylor Swift — ou viagens internacionais, como ao Japão. Para o especialista em comportamento financeiro Morgan Housel, no entanto, esse tipo de consumo motivado por status não foge à regra e faz parte do ciclo natural da vida.
Autor do best-seller A Psicologia Financeira, Housel afirma que o desejo por símbolos de sucesso costuma estar ligado à fase em que a pessoa tem pouco a oferecer ao mundo além de ambições materiais. “Quando eu tinha 20 anos, pensava: ‘Se ao menos eu pudesse ter a Ferrari, se ao menos eu pudesse ter a mansão’”, contou em entrevista à revista Fortune. “Olhando para trás, acho que eu queria tanto essas coisas porque não tinha mais nada a oferecer.”
O contexto atual, porém, é mais desafiador para os jovens. A Geração Z enfrenta um cenário marcado por alto custo de vida, dificuldade de inserção no mercado de trabalho e salários que não acompanham a inflação. Como resultado, marcos tradicionais da vida adulta — como comprar uma casa, se estabelecer financeiramente ou formar uma família — tornaram-se cada vez mais distantes.
Em A Psicologia Financeira, Housel analisa como emoções, crenças e experiências moldam decisões financeiras. No novo livro, A Arte de Gastar Dinheiro, ele aprofunda essa discussão ao explorar os fatores psicológicos por trás do consumo. Segundo o autor, seus próprios objetivos mudaram ao longo do tempo. O que passou a orientar suas escolhas foi a busca por respeito e realização pessoal, sobretudo ao se tornar pai e marido. “Quando esses valores se tornaram minha bússola de sucesso, o desejo por bens materiais diminuiu”, afirma. “Minha aspiração por coisas é inversamente proporcional ao que mais tenho a oferecer ao mundo.”
Para muitos jovens, no entanto, a frustração está justamente na impossibilidade de atingir esses marcos tradicionais. Sem perspectivas claras de estabilidade, parte da Geração Z encontra satisfação em pequenos prazeres do cotidiano, como gastar com animais de estimação, experiências gastronômicas ou rituais simples, como esperar na fila por um café especial aos domingos.
Na avaliação de Housel, o ato de gastar não pode ser tratado como uma ciência exata. “Dinheiro é uma ferramenta emocional”, defende. Para ele, não existe uma fórmula universal para decisões financeiras, e tentar impor uma abordagem única ignora contextos, expectativas e fases diferentes da vida.