Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2026

Home Economia Por que o ex-presidente do Banco de Brasília quer falar à Polícia Federal de novo? Veja estratégia para se afastar do dono do Banco Master

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Investigado no caso Master, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa tem reunido documentos e informações disponíveis em seu celular para defender sua atuação à frente do banco e se dissociar de Daniel Vorcaro, dono da instituição liquidada pelo Banco Central no ano passado. A estratégia da defesa busca mostrar que a tentativa fracassada do executivo de comprar as carteiras de crédito e o próprio Master não tem relação com negócios suspeitos do ex-banqueiro.

A linha de defesa de Costa é tentar provar que agiu em favor dos interesses do banco controlado pelo governo do Distrito Federal, em linha com a estratégia de expansão nacional que estava em curso.

Após o depoimento no fim de dezembro e com a percepção de que a fala foi incompleta e havia ainda muita informação que poderia corroborar essa tese, a defesa de Costa pediu à Polícia Federal (PF) para falar novamente aos investigadores.

Seu advogado, Cleber Lopes, nega que a iniciativa tenha relação com eventual acordo de colaboração premiada. De acordo com o defensor, o pedido foi feito porque o outro depoimento foi apenas para esclarecer contradições, mas há mais o que falar.

Quando Vorcaro foi preso, em novembro de 2025, na Operação Compliance Zero da PF, Costa estava nos Estados Unidos e retornou ao país alguns dias depois. Assim, ele teve tempo para fazer cópias dos dados para se defender, afirmam interlocutores.

Outra tese que sua defesa tenta construir é a de que teriam sido cometidos alguns erros na condução do caso pelo Banco Central. O executivo tem destacado que os aumentos de capital do BRB foram aprovados e homologados pela autoridade monetária, que é quem teria condições, por exemplo, de apontar eventuais problemas relativos aos fundos ligados ao Master e à gestora de investimentos Reag.

Uma das linhas da investigação da PF é sobre o aumento de capital do BRB que levou Vorcaro e outras pessoas investigadas na Compliance Zero a serem acionistas do banco.

Nos bastidores, o executivo rebate o relatório preliminar da auditoria independente contratada pelo BRB, realizada pelo escritório Machado Meyer e pela empresa Kroll, que apontou “achados relevantes”, com indícios de suposta gestão temerária por parte de Costa e auxiliares nos negócios com o Master.

O ex-presidente do banco público costuma lembrar que foi ele quem descobriu irregularidades nas carteiras do Master e alertou o BC em ofício enviado em abril de 2025, cuja cópia, junto com outros ofícios, ele mantém em sua pasta e em arquivos eletrônicos.

Ele alega que os contratos das operações de crédito repassados pelo Master previam que as carteiras teriam que ter origem no banco e, quando descobriu que tinham origem por terceiros (na empresa Tirreno), prontamente comunicou ao BC e questionou Vorcaro sobre o descumprimento do acerto.

Costa reforça a interlocutores que mensagens internas comprovam que ele, especialmente após a constatação sobre a Tirreno, pediu à sua equipe para rever os relatórios, reforçar os processos de acompanhamento e analisar a integralidade dos contratos para checar assinaturas e não apenas por amostragem.

Ele está juntando recibos de viagem para provar que mandou sua equipe para analisar os contratos e varrer os sistemas no próprio prédio do Master, em São Paulo.

Também alega ter provas de que Vorcaro “enrolava” para enviar os contratos e demorou para assinar a contratação de uma auditoria independente. A equipe teve acesso aos dados das carteiras originadas pelo próprio Master, mas não conseguiu analisar contratos originados por terceiros, sob o argumento de que a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) impedia.

Costa tenta ainda emplacar a versão de que avisou a Vorcaro que não compraria mais carteiras e passou a exigir garantias adicionais pela operação, enquanto providenciava a troca dos contratos da Tirreno por outros ativos do Master.

Também usa o argumento de que não tinha como simplesmente pegar de volta o dinheiro repassado ao Master quando da descoberta dos problemas com a Tirreno porque os recursos teriam sumido em meio à crise de liquidez do Master.

Para ele, a perícia no seu celular, cujo acesso foi totalmente franqueado às autoridades, vai mostrar que “jogou duro” com Vorcaro e que não teria havido a “camaradagem” apontada nas investigações do Ministério Público.

Outro argumento é que, dada a situação complicada do Master, a instituição oferecia boas oportunidades de compra de ativos a preços baixos e com bom potencial de lucro, o que, para ele, ficará evidenciado com o tempo.

Apesar da defesa de Costa, o BC apontou irregularidades em carteiras compradas pelo BRB no volume de R$ 12,2 bilhões e determinou que os ativos fossem trocados por outros. Do total, R$ 10 bilhões foram substituídos. (Com informações do jornal O Globo)

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