Domingo, 18 de Janeiro de 2026

Home Mundo Por que o sistema de defesa antiaérea que a Venezuela comprou da Rússia e China não adiantou contra os Estados Unidos

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Com essas palavras pronunciadas em 2013, o então presidente Nicolás Maduro assegurava que seu governo havia instalado na Venezuela “o sistema antiaéreo mais poderoso do mundo” para que “jamais algum avião estrangeiro pudesse entrar e pisar no sagrado céu da pátria”.

No entanto, no último dia 3 de janeiro, quase 13 anos após o anúncio de Maduro, não um, mas mais de 150 aviões e helicópteros dos Estados Unidos atravessaram o espaço aéreo venezuelano e chegaram até Caracas em uma inédita operação militar que terminou com a captura do governante e de sua esposa, Cilia Flores.

Os vídeos e as gravações dos acontecimentos que circularam nas redes sociais mostram pouca resistência por parte das custosas defesas antiaéreas venezuelanas, o que reforçou a tese de que houve algum tipo de colaboração interna, versão rejeitada pelas autoridades.

“Aqui ninguém se entregou, aqui houve combate e houve combate por esta pátria e houve combate pelos libertadores”, declarou a agora presidente Delcy Rodríguez durante um ato em homenagem às vítimas militares realizado cinco dias após os acontecimentos.

O que aconteceu então? O que falhou? A BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC, consultou especialistas militares para tentar responder a essas e outras perguntas.

O melhor dos melhores, em tese

“A ineficácia da defesa aérea venezuelana é um mistério, já que, ao menos em teoria, ela era formidável”, diz Mark Cancian, coronel reformado da infantaria de marinha dos Estados Unidos e pesquisador do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais, em Washington (CSIS, na sigla em inglês).

Mas, antes de se aprofundar nas possíveis razões da ineficiência do sistema de defesa aérea do país sul-americano, vale explicar o que ele inclui.

Desde 2009, Caracas passou a adquirir sistemas como o S-300 e o Buk-M2, de fabricação russa, no âmbito dos numerosos acordos firmados — ainda nos tempos do falecido Hugo Chávez — com o Kremlin.

O S-300 é composto por lançadores móveis de foguetes, cujos projéteis, com 1.480 quilos e 7 metros de comprimento, podem atingir aviões, helicópteros ou mísseis de cruzeiro a uma distância de até 150 quilômetros, segundo dados do CSIS.

Ele é considerado o rival do sistema americano Patriot.

Já o Buk-M2 é um sistema semelhante, de médio alcance, capaz de destruir alvos aéreos que estejam a até 40 quilômetros de distância.

Por fim, há os mísseis Pechora e Igla-S, ambos de curto alcance. Os Igla-S são portáteis, podem ser disparados por um único soldado e, por serem guiados por infravermelho, são capazes de derrubar aviões, helicópteros e drones em baixa altitude.

“Qualquer força militar do mundo conhece o poder do Igla-S, e a Venezuela tem, nada mais, nada menos, que 5 mil”, disse Maduro há algumas semanas.
A tudo isso somam-se os radares de fabricação chinesa e os drones iranianos.

“Para alguns adversários esse sistema é letal, mas para um oponente altamente sofisticado como os Estados Unidos não passa de sucata”, afirmou à BBC Mundo Thomas Withington, especialista em guerra eletrônica e radares do Royal United Services Institute, em Londres (Rusi, na sigla em inglês).

Essa avaliação foi compartilhada por Cancian.

“Os sistemas russos parecem funcionar razoavelmente bem na Ucrânia, mas falharam contra adversários de primeiro nível, como Israel e agora os Estados Unidos”, disse.

O sistema de defesa aérea do Irã, assim como o da Venezuela, baseia-se em equipamentos russos e não conseguiu conter os bombardeios realizados primeiro pela aviação israelense e depois pela americana contra suas instalações nucleares, em meados de 2025.

As hipóteses

Até agora, as autoridades militares venezuelanas não explicaram por que suas defesas aéreas não reagiram.

No entanto, os especialistas consultados consideram que houve uma combinação de fatores.

“Nos últimos seis meses, os Estados Unidos começaram a formar uma frota no Caribe, e essa frota lhes deu a oportunidade de mapear as defesas aéreas da Venezuela e estudar seus pontos fortes e fracos”, afirmou Withington, do Rusi.

E, observando como os acontecimentos se desenrolaram, as forças americanas teriam identificado os pontos vulneráveis.

“É provável que tenham ocorrido ataques cibernéticos aos computadores do sistema, ao mesmo tempo em que foram lançadas interferências que inutilizaram os radares e as comunicações”, afirmou o especialista britânico.

Essa avaliação foi confirmada por um major reformado do Exército venezuelano.

“A tecnologia de guerra eletrônica dos Estados Unidos é muito avançada. Eles dispõem de equipamentos que anulam os radares e fazem com que seus aviões se tornem invisíveis”, explicou o militar à BBC Mundo.
“Ao neutralizar os radares, o restante foi muito fácil, porque eles tinham o fator surpresa”, acrescentou o ex-comandante de uma unidade de tanques. Com informações do portal G1.

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