Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 10 de fevereiro de 2026
A busca por dolarização, proteção patrimonial e valorização no longo prazo tem transformado a Flórida em um dos principais destinos de investimento imobiliário para brasileiros. Artistas como Deborah Secco, Larissa Manoela, Anitta e Claudia Leitte ajudam a ilustrar um movimento que vem se consolidando de forma consistente nos últimos anos. Mais do que uma escolha ligada ao estilo de vida, a decisão reflete uma estratégia clara de proteção e crescimento do patrimônio fora do Brasil.
Embora os nomes famosos chamem a atenção, eles representam apenas a face mais visível de um fenômeno que se espalhou entre empresários, profissionais liberais e famílias brasileiras. A lógica por trás dessas decisões passa pela dolarização do capital, pela segurança jurídica e pela busca por ativos resilientes frente à instabilidade econômica e política.
Segundo Maqueli Gewehr, corretora brasileira especializada no mercado imobiliário da Flórida, esse movimento é resultado de uma combinação rara de fatores. “Dolarizar patrimônio vai muito além de comprar dólares. Significa investir em ativos sólidos, em moeda forte. O imóvel permite exatamente isso, com a vantagem de ser um investimento que o brasileiro já conhece, confia e entende”, explica.
A Flórida reúne características que tornam esse processo especialmente atrativo. O estado não cobra imposto de renda para pessoa física, oferece financiamento imobiliário para estrangeiros, inclusive brasileiros, em prazos longos e com taxas mais competitivas do que as praticadas no Brasil, além de permitir estratégias como o 1031 Exchange, que possibilita reinvestir o ganho de capital sem tributação imediata. Na prática, isso amplia a capacidade de crescimento do patrimônio ao longo do tempo.
Nesse contexto, o acesso ao crédito se torna um ponto decisivo para muitos investidores. De acordo com Lúcio Santana, CEO da Royal Mortgage USA, um dos principais entraves enfrentados pelos brasileiros ainda está na falta de informação e preparo. “Um dos grandes desafios que o brasileiro enfrenta nesse sentido é a falta de preparo. Muitas vezes, ele não tem o conhecimento correto para conseguir se qualificar para um financiamento”, afirma.
Segundo o executivo, há dúvidas recorrentes sobre documentação e comprovação de renda, o que pode atrasar ou até inviabilizar o processo de compra. “Há compradores que não sabem quais documentos precisam reunir, como comprovar renda de forma adequada ou até como estruturar o perfil financeiro para atender às exigências do banco. Por isso, reforço sempre a importância de ter orientação desde o início”, explica.
Outro fator determinante para a atratividade da Flórida é a valorização histórica dos imóveis. Mesmo após fortes altas nos últimos anos, o mercado imobiliário americano mantém uma trajetória consistente no longo prazo. Dados das últimas décadas indicam retorno positivo na maior parte do tempo, com períodos de retração pontuais e de curta duração. Na Flórida, essa dinâmica é ainda mais acentuada, impulsionada pelo crescimento populacional, pelo turismo constante e pelo fluxo migratório interno e internacional.
A pandemia reforçou esse cenário. Regiões do estado registraram valorização expressiva em poucos anos, evidenciando a resiliência do ativo imobiliário mesmo em contextos globais adversos. “Imóvel é um investimento de primeira necessidade. As pessoas podem cortar gastos, mas não deixam de morar. Isso torna o setor especialmente forte em momentos de crise”, afirma Maqueli Florida.
Hoje, o comprador brasileiro na Flórida se divide entre quem busca morar, quem investe à distância e quem utiliza o imóvel como instrumento de proteção patrimonial. Muitos iniciam com investimentos enquanto estruturam uma transição gradual para os Estados Unidos, mantendo negócios no Brasil. Outros permanecem no país e administram seus imóveis com facilidade, seja por meio de locações residenciais, seja com empresas especializadas em aluguel por temporada.
Para Lúcio Santana, esse movimento reflete uma mudança clara de mentalidade. “Hoje, o brasileiro que decide investir fora do país busca algo mais sólido. Ele está preocupado com a economia no Brasil e quer trazer parte do patrimônio para os Estados Unidos, até por uma questão de segurança para a família”, destaca.
Mesmo com a valorização recente, especialistas avaliam que ainda há oportunidades relevantes, especialmente no segmento de imóveis voltados à moradia essencial, conhecidos como necessity homes. O mercado vive atualmente um momento mais favorável ao comprador, com maior oferta de imóveis, o que amplia o poder de negociação e atrai investidores atentos ao ciclo econômico. Com informações do portal O Globo.