Domingo, 29 de Março de 2026

Home em foco Pré-candidatura do senador Sergio Moro ao governo do Paraná sofreu um revés com o anúncio da desfiliação de 48 prefeitos do PL

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A pré-candidatura do senador Sergio Moro ao governo do Paraná pelo PL sofreu um revés já na fase inicial, com o anúncio nesta quinta-feira (26) da desfiliação de 48 prefeitos do partido, que discordam da escolha do candidato e querem apoiar o grupo do atual governador, Ratinho Junior (PSD). Após desistir de concorrer à Presidência da República e decidir ficar no cargo até o fim do mandato, Ratinho organiza a sucessão e busca fortalecer sua base.

A crise interna no PL com a chegada de Moro — que se filiou ao partido na terça-feira (24), após articulação da cúpula nacional e do presidenciável da legenda, o senador Flávio Bolsonaro — levou o presidente estadual no Paraná, deputado federal Fernando Giacobo, a também deixar a legenda, sob protesto. Anteriormente, o PL se encaminhava para apoiar o candidato de Ratinho.

A reviravolta no cenário local, com a migração de Moro do União Brasil para o PL para ser candidato a governador, ocorreu após Ratinho rejeitar uma proposta de acordo em que abriria mão de concorrer à Presidência, em troca do apoio do partido no Estado. Com a recusa, a direção nacional do partido avançou no plano de filiar Moro. A desistência de Ratinho de continuar no processo interno do PSD para escolha do candidato à Presidência, na última segunda (23), teria sido uma tentativa de evitar o rompimento com o PL, mas não adiantou.

Num esforço para deter a candidatura de Moro, que aparece na liderança das pesquisas de intenção de voto, o grupo de Ratinho diz que a relação do senador com prefeitos e bases no Estado é frágil e defende um candidato com “perfil municipalista”, para dar continuidade à política de proximidade com os municípios, com convênios e repasses de verbas.

A desfiliação em massa de 48 dos 53 prefeitos do PL no Estado foi anunciada em um ato nesta quinta, em Curitiba, em meio a painéis com a expressão “retroceder jamais”. O ex-presidente estadual Fernando Giacobo, que participa da articulação, disse que três prefeitos justificaram a ausência no evento, por motivo de viagem, e que um ainda está indeciso.

“Nós vamos sair de um projeto do PL estadual que não nos atende, não é dos nossos princípios”, afirmou o deputado a jornalistas. Segundo ele, que reiterou a vontade de apoiar o escolhido de Ratinho, cada prefeito terá liberdade para se filiar a outros partidos — o PSD já se colocou de portas abertas. Na presidência do PL no Paraná, Giacobo foi substituído pelo deputado federal Filipe Barros, que é pré-candidato ao Senado.

Moro, por meio da assessoria, afirmou que “a pressão da máquina do governo é previsível e eventuais movimentações nos quadros dos partidos são comuns no período de janela partidária”. Segundo a nota enviada pelo senador, “no final do período eleitoral, o PL Paraná estará maior e mais forte”.

Proteção

Ratinho já informou que trabalha para defender o Estado das “brigas de Brasília”, reforçando a estratégia de fazer uma campanha em torno de assuntos locais e evitar a nacionalização da disputa. Ex-juiz da Lava-Jato, Moro conquistou apoio de setores conservadores com a bandeira do combate à corrupção. O senador disse, ao lançar a pré-candidatura, que “o Paraná será a nossa fortaleza”, dentro de um projeto nacional maior.

“Tenho muito medo de que as brigas de Brasília venham a atrapalhar o Paraná. Nós conseguimos proteger o Estado durante sete anos dessa briga que acontece em Brasília e traz muito prejuízo ao Brasil”, declarou Ratinho, que citou também preocupação com “esses arranjos de Brasília”.

De acordo com ele, sua função “é fazer um escudo disso e proteger o paranaense”, preservando a “união do Estado com os prefeitos e a sociedade civil organizada”.

Os nomes cogitados pelo governador, todos do PSD, são o secretário estadual de Cidades, Guto Silva, e o deputado estadual Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa. O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, também é visto como possibilidade e teve o nome testado em pesquisas. Ratinho afirmou que “a discussão não é apenas de nome” e que sua intenção é organizar uma chapa “que possa defender os interesses do Paraná”.

Segundo interlocutores, o governador discute quais seriam as melhores alternativas para as vagas de governador, vice e dois candidatos ao Senado. O ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca também vinha sendo cotado como peça da sucessão, mas a avaliação é que ele perdeu força ao trocar o PSD pelo MDB.

Ratinho afirmou que o processo está “em construção” e que os nomes serão anunciados nos próximos dias. Aliados apostam que ele conseguirá transferir votos para o indicado e dizem que pesquisas mostram um peso relevante do apoio do governador. (As informações são do Valor Econômico)

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