Domingo, 15 de Março de 2026

Home Colunistas Preço do petróleo: Como vencer este poderoso inimigo

Compartilhe esta notícia:

Já ficou bem claro para o mundo o poderio militar dos Estados Unidos. Quem tinha alguma dúvida já não tem mais. As incursões na Venezuela, e as duas recentes no Irã não só confirmaram esta supremacia, bem como trouxeram novas realidades tecnológicas até então desconhecidas para as defesas destes países e, muito provavelmente para o resto do mundo.

O Irã aposta todas as fichas em prolongar a guerra, atacando países vizinhos, bloqueando o Estreito de Ormuz e não descartando ataques terroristas pelos grupos por ele patrocinados por décadas, a saber: Hamas e Hezbollah. Estados Unidos e Israel passam a sensação que podem praticamente exterminar o Irã quando for necessário, todavia guerra demorada e desgastante só interessa aos Aiatolás que insistem em manter a ditadura cruel e inaceitável ao povo iraniano. A pergunta que não se cala é: Caso o Irã já tivesse a bomba nuclear a utilizaria agora? Como um país que patrocina grupos terroristas há anos pode sonhar em ter armamento nuclear?

Podemos concordar ou não com a forma que os Estados Unidos conduziram as negociações para acordo ou até como procederam ao ataque, mas um fato é inegável, o Irã nunca permitiu que as autoridades internacionais fiscalizassem rigorosamente o programa nuclear, como havia se comprometido no acordo firmado com os Estados Unidos na administração de Barak Obama.

As manifestações populares já aconteciam antes dos ataques por parte dos Estados Unidos e Israel, a economia iraniana estava debilitada, a inflação aumentou muito e a liberdade de expressão nunca foi tão violentamente reprimida. Milhares de mortes de manifestantes foram encobertas pela ditadura, com bloqueio de informações e restrições severas na internet, que praticamente foi bloqueada em todo o país.

Com os bloqueios promovidos pelo Irã no Estreito de Ormuz, região por onde circula 20% da produção mundial do petróleo, os preços dispararam, não só pela ameaça de queda da oferta, como também pelo aumento do valor do seguro dos navios, frete etc. Antes do começo da guerra o preço do barril de petróleo era de aproximadamente US$ 77 dólares americanos e, alguns dias atrás superou os US$ 110 dólares.

Por mais estranho que possa parecer, o Irã aumentou a exportação de seu petróleo (que abastece principalmente a China) pelo Estreito de Ormuz desde o início da guerra. Os navios iranianos estão passando livremente pelo Estreito, mas até quando?

Os Estados Unidos não dependem diretamente do petróleo iraniano, mas sofre as consequências maléficas do aumento de preço. Donald Trump já declarou que este bloqueio vai parar por bem ou por mal e o Irã mantém intocável sua última resistência. Este parece ser o ponto crucial na duração da guerra. A pressão dos países vizinhos ao Irã que estão sofrendo o bombardeio da ditadura dos Aiatolás parece ser contornável, todavia os danos causados na economia mundial pelo bloqueio duradouro são devastadores.

Temos eleições de meio de mandato em novembro aqui nos Estados Unidos com a renovação dos mandatos de todos deputados e parte do Senado, que hoje tem maioria republicana, sendo fator primordial à administração de Donald Trump. A inflação nos Estados Unidos parece controlada na faixa dos 2,4% ao ano, índices dos meses de janeiro e fevereiro deste ano. Quando Trump assumiu a inflação era de 3% ao ano, atingiu o pico de 9,1% durante a pandemia na administração de Joe Biden. A última coisa que Donald Trump precisa é o aumento na inflação provocado pelo preço do petróleo.

O eleitor estadunidense já está sentindo o efeito nos postos de combustíveis e em breve sentira também nos preços dos demais produtos, caso o petróleo volte a subir. A inflação supera qualquer preferência política ou simpatia a qualquer candidato, ela é cruel, devastadora e rápida, principalmente em um país onde conviveu-se sem inflação por mais de 40 anos, até a COVID 19 em 2020. O estadunidense com menos de 50 anos não sabia o que era inflação até a pandemia e sentiu no bolso na administração Biden, sendo um dos principais motivos da eleição de Donald Trump. A guerra não pode durar muito tempo e os Estados Unidos sabem disto, independentemente de não terem o desgaste do envio de tropas e corpos de soldados retornando em caixões. Podemos aguardar medidas mais duras a curto prazo.

*Dennis Munhoz é jornalista e advogado, foi Presidente da TV Record e Superintendente da Rede TV, atualmente atua como correspondente internacional, Vice-Presidente da Associação Paulista de Imprensa, apresentador e jornalista da Rede Mundial e Rede Pampa nos Estados Unidos.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Colunistas

PL quer Zema como vice de Flávio para atrair o PSD
Não nos representa
Deixe seu comentário
Baixe o app da RÁDIO Pampa App Store Google Play
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa Pampa Saúde