Quinta-feira, 01 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 1 de janeiro de 2026
O presidente da Argentina, Javier Milei, disse que trabalha com outros países da América Latina para formar um novo bloco regional voltado ao que chamou de “ideias da liberdade”. O objetivo seria combater o socialismo. A declaração foi dada em uma entrevista na quarta-feira (31).
Segundo Milei, o grupo ainda não tem nome, mas já reúne dez países. Ele não informou quais participam da iniciativa. À CNN, o mandatário do país vizinho disse que o projeto seguirá avançando.
Milei afirmou que o bloco pretende enfrentar o que chamou de “câncer do socialismo”, incluindo o “socialismo do século 21” e o movimento “woke”, termo usado por conservadores para criticar pautas defendidas pela esquerda.
Questionado sobre vitórias recentes de candidatos de direita e centro-direita na região, como José Kast no Chile, Rodrigo Paz na Bolívia e Daniel Noboa no Equador, Milei disse que a América do Sul estaria acordando.
“Parece que a região acordou do pesadelo do socialismo do século 21. As pessoas estão descobrindo que efetivamente é uma farsa.”
O presidente argentino citou alinhamento com líderes da região, como Santiago Peña, do Paraguai, Nayib Bukele, de El Salvador, e Nasry Asfura, recém-eleito em Honduras.
Fora da América Latina, Milei já manifestou interesse em estreitar laços com líderes como Donald Trump, dos Estados Unidos, Benjamin Netanyahu, de Israel, Viktor Orbán, da Hungria, e Giorgia Meloni, da Itália.
Durante a visita de Meloni à Argentina, em novembro de 2024, Milei manifestou a intenção de criar “uma aliança de nações livres, unidas contra a tirania e a miséria”.
Milei deve participar do Fórum Econômico Mundial, que ocorre entre 19 e 23 de janeiro, em Davos, na Suíça.
Teste
Após décadas de crises financeiras, os argentinos tendem a guardar dinheiro em praticamente qualquer lugar, menos em um banco — debaixo do sofá, enterrado no quintal ou em bunkers à prova de balas. Um ex-político ficou famoso por esconder dinheiro em um convento local. As freiras o ajudaram.
O presidente argentino Javier Milei convenceu quase 300.000 argentinos a declarar mais de US$ 20 bilhões em um programa de anistia fiscal que estabeleceu que depósitos acima de US$ 100 mil deveriam permanecer intocados em contas bancárias ou de corretoras até 1º de janeiro de 2026, para evitar a cobrança de um imposto.
Depois disso, os argentinos com as chamadas contas CERA ficarão livres para movimentar seu dinheiro — um teste de confiança dos locais no presidente, bem como um possível ponto de inflexão nos hábitos de poupança dos argentinos.
Em outubro, uma venda acentuada no mercado fez com que os argentinos corressem para comprar dólares por medo de outra virada do pêndulo político antes das eleições legislativas.
A maré pode estar mudando sob o governo de Milei, após a vitória de seu partido nas eleições legislativas e o apoio conquistado no Congresso, na semana passada, para aprovar o primeiro orçamento anual em anos. A inflação também caiu drasticamente durante seu mandato e os rumores pré-eleitorais de uma desvalorização do peso se dissiparam.
Milei tem mais uma carta na manga para manter as economias no banco e incentivar a entrada de mais fundos não-declarados na economia para sustentar o crescimento. O Congresso acaba de aprovar sua lei, chamada Lei de Inocência Fiscal, que eleva significativamente os níveis mínimos antes que a autoridade tributária argentina possa processar cidadãos por sonegação fiscal e outros crimes financeiros.
O principal objetivo é encorajar um maior uso de fundos não-declarados sem o temor de escrutínio legal no futuro.
“Há quase US$ 200 bilhões debaixo de colchões que poderiam estar rendendo juros e gerando crédito”, disse o Ministro da Economia, Luis Caputo, em uma conferência com investidores locais em dezembro. “Não faz sentido, mas a maioria dos argentinos faz isso — e isso precisa mudar”.
Os depósitos em dólares do setor privado no sistema financeiro mais que dobraram desde que Milei tomou posse há dois anos, para US$ 36 bilhões, o maior montante desde a corrida aos bancos no início de 2002.
É um evento positivo, mas ainda representa uma fração dos estimados US$ 204 bilhões em dinheiro vivo que os argentinos mantêm fora dos bancos, de acordo com um relatório do banco central do ano passado. (Com informações do portal de notícias CNN Brasil e do jornal O Globo)