Sexta-feira, 02 de Janeiro de 2026

Home Rio Grande do Sul Presidente da Assembleia Legislativa comanda o governo gaúcho até segunda-feira

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Em solenidade realizada nesta sexta-feira (2) no Palácio Piratini, em Porto Alegre, o vice-governador gaúcho Gabriel Souza (MDB) transmitiu o comando do Executivo estadual ao presidente da Assembleia Legislativa, Pepe Vargas (PP). O deputado exerce oficialmente a função até as 9h da próxima segunda (5), com o fim do período de férias do titular Eduardo Leite (PSD).

Durante a ausência de Pepe, o Parlamento é lierado por seu 2° vice-presidente, deputado Vilmar Zanchin (MDB). O petista deixará o comando da instituição em fevereiro, dando lugar a Sérgio Peres (Republicanos) – há um sistema rotativo que concede 12 meses na função a cada um dos quatro partidos de maior bancada na Casa.

Souza atuava como governador em exercício desde 26 de dezembro, devido ao recesso de Eduardo Leite. Coube a ele a entrega da chefia provisória do Rio Grande do Sul ao presidente da Assembleia – procedimento que representa uma espécie de “gentileza institucional” nessa época do ano.

Durante a cerimônia, o vice-governador falou da relação de alto nivel entre os Poderes e destacou a competência de Pepe, seu colega de Assembleia na legislatura anterior: “Tenho certeza que o Estado estará em boas mãos”.

Pepe, por sua vez, destacou a responsabilidade da missão, ainda que breve: “Evidentemente, é uma honra muito grande para qualquer cidadão ser governador em exercício, mesmo que por poucos dias. Espero que esses dias transcorram com tranquilidade e que não tenhamos nada de extraordinário”.

O rito de transmissão foi acompanhado de perto por familiares e amigos de Pepe, além de companheiros de trajetória política como a deputada Stela Farias e os ex-deputados Raul Pont, Selvino Heck e Ronaldo Zülke (atualmente diretor do Fórum Democrático de Desenvolvimento Regional da ALRS) todos do PT.

Também participaram a superintendente-geral da Assembleia Legislativa, Mari Perusso, e dois prefeitos vinculados ao partido de Pepe: Ivan Agatti, do município de Coronel Pilar, e Roberto Panazzolo, de Nova Roma do Sul.

Trajetória

O percurso político de Pepe Vargas começou em 1974, aos 16 anos, apoiando as candidaturas que faziam oposição à ditadura (1964-1985). Com a reconstrução da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União Estadual dos Estudantes do Rio Grande do Sul (UEE-RS), ambas fechadas pelo regime militar e reorganizadas após a Lei da Anistia de 1979, Pepe passou a atuar no movimento.

Na década seguinte, foi um dos líderes da Caravana das Diretas, movimento da UEE-RS (da qual era diretor) que percorreu cidades gaúchas defendendo a realização de escolha direta para presidente da República, em 1984 – possibilidade derrubada por maioria de votos no Congresso Nacional e que só se concretizaria em 1989.

Pepe também esteve envolvido nas atividades que levaram à fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), em 1980. Sua trajetória parlamentar começou em 1989, ao ser eleito o primeiro vereador da sigla em Caxias do Sul, cidade onde chegara aos 5 anos, vindo com a família de Nova Petrópolis.

Em 1994, conquistou seu primeiro mandato de deputado estadual e dois anos depois chegou a prefeito, em segundo turno disputado com o então deputado federal Germano Rigotto (do MDB e que depois seria governador). Foi reeleito em 2000, também em segundo turno, vencendo o então deputado federal José Ivo Sartori (do MDB e que também seria governados).

Eleito deputado federal em 2006, 2010 e 2014, Pepe Vargas foi presidente da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados e presidiu no Congresso Nacional a Frente Parlamentar Mista das Micro e Pequenas Empresas, responsável pelas tratativas que regulamentaram o sistema tributário Simples Nacional.

Também chefiou três ministérios durante a gestão da presidente Dilma Rousseff (2011-2015): Desenvolvimento Agrário, Direitos Humanos e Relações Institucionais. Retornou à Assembleia Legislativa em 2019, onde presidiu comissões importantes, como a destinada a debater a reforma da Previdência, a crise do IPE Saúde e a que sugeriu medidas sobre os benefícios ficais concedidos pelo governo estadual.

Também liderou frentes parlamentares em defesa da Petrobras, dos usuários de rodovias pedagiadas e das vítimas da covid. Ele preside a Assembleia desde fevereiro do ano passado.

(Marcello Campos)

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