Quinta-feira, 08 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 7 de janeiro de 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avalia “ativamente” com sua equipe a compra da Groenlândia da Dinamarca, segundo informou nesta quarta-feira a Casa Branca, que não descartou a opção militar para que os Estados Unidos anexem esse território rico em recursos e de grande interesse geoestratégico.
A declaração ocorre após o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmar a parlamentares sobre a intenção de compra do presidente, e não de invasão do território, e que pretende se reunir com o governo dinamarquês na próxima semana para discutir o assunto.
“É algo que o presidente e sua equipe de segurança nacional estão debatendo ativamente neste momento”, respondeu a secretária de imprensa, Karoline Leavitt, a uma pergunta sobre uma possível oferta dos Estados Unidos para comprar o território autônomo.
Trump, acrescentou Leavitt, “considera que é do melhor interesse dos Estados Unidos deter a agressão russa e chinesa na região do Ártico, e é por isso que sua equipe está discutindo como seria uma possível compra”.
Perguntada sobre por que Trump não descartava uma ação militar contra um membro da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Leavitt respondeu: “Isso não é algo que este presidente faça. O presidente Trump sempre tem todas as opções sobre a mesa”.
A declaração de Rubio sobre a possível compra do território foi feita em uma reunião de esclarecimento com integrantes das principais comissões de serviços armados e de política externa da Câmara e do Senado na segunda-feira, segundo relatos de autoridades americanas. No mesmo dia, Trump pediu que seus auxiliares apresentassem uma versão atualizada de um plano para adquirir a ilha.
Nesta quarta-feira, Rubio voltou a mencionar o assunto em entrevista coletiva ao sair do Capitólio, sede do Legislativo americano:
“Isso não é novidade, ele falou sobre isso em seu primeiro mandato. E ele não é o primeiro presidente dos EUA a examinar ou analisar como poderíamos adquirir a Groenlândia”, disse Rubio, fazendo referência ao ex-presidente Harry Truman (1945-1953), que também havia considerado a ideia, mas acrescentou: “Todo presidente sempre mantém a opção, e não estou falando da Groenlândia, mas do ponto de vista global, de que se o presidente identificar uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos, todo presidente mantém a opção de lidar com ela por meios militares”.
Rubio também disse que planeja se reunir na próxima semana com o governo dinamarquês, que solicitou diálogo após as ameaças de Trump.
A reunião no Congresso tinha como foco a Venezuela, mas parlamentares demonstraram preocupação com as intenções do líder republicano em relação à Groenlândia, após declarações consideradas agressivas feitas nesta semana pelo presidente e por um assessor de alto escalão, Stephen Miller, disseram duas autoridades. Rubio, porém, não entrou em detalhes sobre o que quis dizer com a compra da Groenlândia.
Trump passou décadas em Nova York como incorporador imobiliário, e um de seus principais enviados diplomáticos, Steve Witkoff, vem da mesma área. O republicano cobiça a Groenlândia desde o primeiro mandato, também por causa de seu potencial de riqueza em minerais críticos. A ilha é um território autônomo e pouco povoado, sob soberania da Dinamarca, país-membro da Otan, a aliança militar do Ocidente. A Dinamarca estabeleceu controle colonial sobre a região no século XVIII e concedeu autonomia ao território no século XX. (Com informações de O Globo)