Sábado, 27 de Junho de 2026

Home em foco Presidente nacional do partido de Bolsonaro afirma que a sigla precisa resolver o conflito entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro: “Se nós não nos entendermos, vamos perder a eleição”

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O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que o partido precisa resolver o conflito entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), précandidato à Presidência. “Se nós não nos entendermos, vamos perder a eleição”, disse o dirigente, acrescentando que, se o embate entre madrasta e enteado persistir, “quem vai pagar” será o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que “fica preso mais dez anos”.

A declaração do presidente do PL foi dada durante entrevista à Rádio Gaúcha e teve repercussão nacional. Conforme o jornal O Estado de S. Paulo, Valdemar afirmou que antecipou seu retorno ao Brasil para conversar com Michelle e Flávio. Ele disse considerar o episódio “muito sério”.

A crise interna no partido foi deflagrada por um relato feito por Michelle em que ela diz ter sofrido “humilhação” de Flávio. Ela publicou um vídeo de quase 30 minutos nas redes sociais na quarta-feira. “Ele (Flávio) foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, afirmou Michelle.

Em resposta, Flávio negou ter maltratado a madrasta. “Em nenhum momento ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle. Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas. Tenho por ela respeito e reconhecimento pelo trabalho no PL Mulher, pelo cuidado com meu pai e por tudo o que representa para o Brasil. Toda a nossa família está passando por um momento muito difícil. E entendo a angústia da Michelle vendo meu pai, todos os dias, sofrendo com tamanha injustiça”, declarou o senador nas redes sociais.

Valdemar negou que tenha havido desrespeito de Flávio à madrasta. “Isso é difícil, em vários lugares nós temos problema, não é só lá não (Ceará)”. “Ela (Michelle) tem uma candidata muito forte (Priscila Costa), que foi a vereadora mais votada do Estado e tem chances de ser senadora, assim como o pai do Fernandes tem. Ele perdeu a eleição por dez mil votos para prefeito de Fortaleza”, declarou Valdemar, destacando que é preciso “respeitar a estrutura de lá”.

Ao comentar o papel da ex-primeira-dama dentro da sigla, o presidente do PL ressaltou a importância de Michelle para o fortalecimento do partido entre o eleitorado feminino. “O que ela fez pelo PL Mulher no Brasil não tem preço, fez um trabalho maravilhoso e tenho o maior respeito por ela”, disse o dirigente.

Ataques

Segundo integrantes do PL, um evento eleitoral que deve ocorrer em Fortaleza em 10 de julho e a suspeita de que Flávio estaria por trás de ataques virtuais foram o estopim para que Michelle decidisse divulgar o vídeo.

Até então, a ex-primeira-dama vinha se queixando para aliados de “ataques” que sofria de comunicadores próximos aos filhos do marido, como Paulo Figueiredo, Kim Paim, Allan dos Santos e Didi Redpill, e demonstrava que via a ofensiva como obra dos enteados. As críticas teriam se acentuado a partir de suas últimas movimentações políticas, em especial no Ceará, quando bateu de frente com Flávio.

Dossiê

Em meio à crise familiar, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) não fez nenhuma declaração direta sobre os vídeos de Michelle, mas republicou nas redes sociais conteúdos que questionam as motivações da madrasta e reforçam a imagem do irmão como candidato presidencial. Em uma das publicações, Eduardo compartilhou o link para um vídeo com o título “Dossiê: Michelle – As Notícias Desmentem” e escreveu: “Sempre fazendo uma viagem ao passado para compreender o presente”.

Na gravação, um youtuber acusa a ex-primeira-dama de não apoiar a pré-candidatura de Flávio à Presidência, de dificultar o acesso de filhos e aliados ao ex-presidente durante a prisão domiciliar e de agir por interesses pessoais, em vez de priorizar a derrota do PT.

Eduardo republicou ainda um vídeo do também deputado cassado Alexandre Ramagem (PL-RJ), que vive nos Estados Unidos enquanto enfrenta processo de extradição solicitado pelo Brasil. Ramagem afirmou que Michelle “trouxe um assunto de sete meses atrás para prejudicar Flávio” e que a ex-primeira-dama “faz birra” por não ter aceitado a decisão do marido sobre a candidatura ao Palácio do Planalto. (As informações são do jornal O Estado de S. Paulo)

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