Domingo, 01 de Fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 31 de janeiro de 2026
Daqui até a eleição, o principal ponto de articulação política da oposição para tratar de estratégias e decisões consideradas centrais não deve ser uma sede partidária, um comitê formal de campanha ou um gabinete em Brasília, mas sim a própria “Papudinha”, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está preso. Nos bastidores, aliados avaliam que o local se tornou uma espécie de centro informal de decisões, diante da influência que Bolsonaro segue exercendo sobre o campo político que lidera.
O movimento interno e externo em torno do ex-presidente tem sido descrito como intenso, com disputas por espaço na agenda e tentativas frequentes de viabilizar encontros presenciais. Já na semana que vem, Bolsonaro deve receber deputados do Rio de Janeiro e da Paraíba, além de um senador por Goiás, em visitas que ainda dependem das autorizações formais do Judiciário. A fila de aliados que buscam a “bênção” do ex-presidente, segundo relatos, só aumenta. Na sexta-feira (30), parlamentares do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais apresentaram pedidos ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando permissão para reuniões com Bolsonaro.
De acordo com interlocutores, as conversas na unidade prisional têm girado em torno de temas ligados ao futuro político do grupo, incluindo alianças regionais, definições de palanques estaduais e, principalmente, a eleição presidencial de 2026. A avaliação de aliados é que decisões consideradas relevantes já começaram a ser encaminhadas mesmo com Bolsonaro sob custódia.
Antes de ser transferido para a “Papudinha”, quando ainda estava na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, Bolsonaro teria tomado uma decisão estratégica importante: o ex-presidente “bateu o martelo” sobre a escolha do filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como nome do grupo para a disputa presidencial de 2026. Nos bastidores, a decisão é descrita como uma tentativa de manter o protagonismo do bolsonarismo e, ao mesmo tempo, consolidar uma candidatura associada diretamente ao núcleo familiar do ex-presidente.
Na última quinta-feira (29), as questões relacionadas ao cenário nacional e à sucessão presidencial também teriam dominado a conversa com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Segundo relatos, Tarcísio reiterou que será candidato à reeleição no governo paulista e, ao mesmo tempo, reforçou apoio ao nome de Flávio para a corrida ao Planalto. A sinalização, de acordo com aliados, buscaria organizar o campo oposicionista e reduzir disputas internas sobre possíveis alternativas.
Apesar do fluxo de articulação, há limites definidos pelo Judiciário em relação às visitas e ao contato com determinadas lideranças. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, tentou autorização para um encontro com Bolsonaro, com o objetivo de discutir estratégias e alianças voltadas especialmente às eleições para o Senado. O pedido, porém, foi negado por Alexandre de Moraes. O ministro sustentou que ambos respondem ao mesmo processo por tentativa de golpe, o que impediria a comunicação direta entre os investigados.
O cenário, segundo observadores, remete a episódios recentes da política brasileira em que decisões decisivas sobre candidaturas foram tomadas a partir de lideranças presas. Em 2018, o então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) transformou sua cela na Superintendência da Polícia Federal no Paraná em um centro de articulação do partido, influenciando diretamente os rumos eleitorais.
Naquele contexto, foi também a partir da prisão que Lula consolidou o nome de Fernando Haddad como seu sucessor na disputa presidencial, após reuniões com a então presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e depois de negativas de nomes como Jaques Wagner. A escolha foi formalizada publicamente por meio de uma carta escrita à mão por Lula e lida pelo aliado Luiz Eduardo Greenhalgh, em um gesto que simbolizou a transferência de apoio e a tentativa de unificação interna do partido. (Com informações da colunista Julia Duailibi, do portal de notícias g1)